Cotidiano

OPERAÇÃO BIG FISH

Vereadores de Goioerê e Cianorte eram “cabeças” de grupo criminoso que movimentou R$ 2 bilhões

08/04/2026 15H43

Jornal Ilustrado - Vereadores de Goioerê e Cianorte eram “cabeças” de grupo criminoso que movimentou R$ 2 bilhões
Marcelo Gaucho e Victor Hugo.

Dois dos presos na Operação Big Fish são o presidente da Câmara de Vereadores de Cianorte, Víctor Hugo Davanço (Podemos), e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho (PSD). Ambos foram alvo de prisão preventiva. Conforme as investigações, Víctor Hugo tinha atuação direta na estrutura criminosa, exercendo função no núcleo financeiro, sendo responsável pelo controle de pagamentos e outros serviços. Já Marcelo Gaúcho possuía envolvimento mais direto com a exploração dos jogos ilegais. Em Cianorte, uma lotérica pertencente a uma família apontada como uma das principais na prática do crime de exploração de jogos ilegais também foi alvo de mandados judiciais.

A prisão dos vereadores evidencia o alcance da organização criminosa dentro do poder público.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana (17ª SDP) e da 21ª Subdivisão Policial de Cianorte (21ª SDP), em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR), através da 5ª Promotoria de Justiça de Cianorte, deflagrou nesta terça-feira (08) a fase ostensiva da Operação Big Fish, com o objetivo de desarticular uma sofisticada organização criminosa.

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As investigações, que duraram cerca de três anos, apontaram a existência de um grupo responsável pela criação de um verdadeiro conglomerado empresarial ilícito, formado a partir da fusão entre dois dos maiores grupos criminosos do país voltados à exploração de jogos ilegais — um do Paraná e outro de Goiás. Este último possui ligação com integrantes associados ao contraventor Carlinhos Cachoeira.

De acordo com a apuração conduzida pela 17ª SDP de Apucarana, a organização criminosa operava como uma “empresa estruturada”, com divisão em núcleos de liderança, financeiro, tecnológico e operacional. O grupo mantinha milhares de pontos de exploração de jogos ilegais e utilizava uma engrenagem altamente organizada para sustentar as atividades ilícitas.

As investigações também revelaram a utilização de empresas de fachada para lavagem de dinheiro, além do uso de empresas reais para mesclar valores ilícitos com receitas legais, dando aparência de legalidade aos recursos obtidos. O grupo utilizava ainda “laranjas” e contas bancárias de passagem para movimentar milhões de reais, dificultando o rastreamento financeiro.

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A fusão entre os grupos ocorreu por meio da criação das empresas APOIO e LEMA, que passaram a centralizar a gestão financeira entre os irmãos Lourenço, ligados ao principal grupo do Paraná, e o grupo goiano comandado por Lenine e Willian Vitorino, apontados como braços de Carlinhos Cachoeira. Juntos, formaram uma das maiores estruturas criminosas do país nesse segmento.

Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava há mais de 10 anos de forma estruturada, praticando crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais.

A operação foi realizada simultaneamente em 25 cidades nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás, mobilizando mais de 330 policiais civis, além de dois helicópteros e uma aeronave.

Ao todo, foram expedidos 371 mandados judiciais, sendo 85 de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão e 184 ordens de bloqueio de contas bancárias, com objetivo de sequestrar mais de R$ 1,5 bilhão.

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Também foi determinado o sequestro de 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões — incluindo caminhonetes e veículos de luxo como Mercedes-Benz, Porsche, BYD, Jaguar, GWM e Volvo — além de 111 imóveis, avaliados em mais de R$ 32,9 milhões, e ainda mais de 100 cabeças de gado, totalizando cerca de R$ 43,9 milhões em bens apreendidos. A operação resultou também na retirada de 21 sites de apostas ilegais do ar.

Outro ponto identificado foi a existência de uma empresa de tecnologia da informação utilizada pela organização para desenvolver sistemas e plataformas digitais de jogos ilegais. Entre elas, as plataformas SUNI e GOLLOT, responsáveis pela transmissão dos jogos e controle financeiro de atividades como o jogo do bicho. Esses sistemas eram utilizados em pelo menos 14 estados, com mais de 15 mil pontos de exploração.

As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 2,1 bilhões por meio de mais de 522 mil operações financeiras. Também foi constatado o uso de fintechs e contas digitais para ocultação da origem e destino dos valores.

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Durante a apuração, foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados, além de mais de 520 mil transações financeiras, com base em 57 quebras de sigilo bancário e 62 de sigilo fiscal.

Na fase atual da operação, foram presas lideranças do grupo e integrantes dos núcleos financeiro e operacional, considerados peças-chave da organização. A ação é resultado de um trabalho conjunto entre Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário.

A defesa do vereador de Cianorte, Víctor Hugo Davanço, informou que não teve acesso aos autos e que os fatos serão esclarecidos, demonstrando a inocência dele. A Câmara de Cianorte disse que não recebeu notificação oficial sobre a prisão do presidente e afirmou que está à disposição para colaborar com a investigação.

A defesa do vereador de Goioerê, Marcelo Gaúcho, também declarou não teve acesso aos autos e que pretende comprovar a inocência do cliente. A Câmara de Goioerê informou que não recebeu notificação oficial.

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O nome da operação OPERAÇÃO BIG FISH se deu em razão da investigação, que visava alcançar as lideranças da exploração do jogo do bicho, ter se iniciado na Cidade de Grandes Rios/PR, que é uma cidade do Vale do Ivaí, região Norte do Paraná, com uma população de aproximadamente 5.600 habitantes.