Umuarama

Vida e Solidariedade

União e o amor ajudam a mudar o destino de uma pessoa

15/10/2018 08H40

A professora Mileide Menezes também ministra aulas de higiene pessoal e maquiagem na associação

Com apenas 11 anos, Mileide Menezes, viu sua mãe sair de casa. Moradora do Parque Industrial de Umuarama, a umuaramense ficou apenas com o pai e ela tinha tudo para seguir caminhos tortuosos. Entretanto, encontrou na Associação Vida e Solidariedade o apoio psicológico e educacional necessários para superar os problemas financeiros e mentais. Hoje com 22 anos, Mileide é voluntária da associação e segue para a conclusão do curso de pedagogia.

Dedicada, atenciosa e perseverante, Mileide relembra os tempos difíceis não com tristeza, mas com um sentimento de superação. “Eu ficava muito sozinha depois que minha mãe foi embora. Meu pai trabalhava o dia todo e ele também estava destruído psicologicamente pela situação. Eu ficava mal e não conseguia ajudá-lo, entrei em depressão” lembrou.

Além dos problemas familiares, as questões sociais também eram difíceis dentro do Parque Industrial no período dos anos 2000. Mas em meio ao cenário de carência social, Mileide conta que encontrou a dona Maria da Sopa e a Associação Vida e Solidariedade. “Dona Maria me ajudou. Eu chorava no colo dela. Ela é uma mãe para todas crianças do projeto, levando muito a amor e palavras firmes, ela nos apoiava e nos orientava”, relembrou Mileide.

Na associação, a umuaramense chegava pela manhã e participava das atividades. Na hora do almoço se alimentava e depois seguia para a escola. “Comia aqui e participava de todos os projetos. Aqui começaram a conversar comigo e me tratavam muito bem, a dona Maria e a psicóloga Cláudia Resende eram muito carinhosas. Esse olhar acolhedor fez a diferença na minha vida”, noticiou.

A umuaramense permaneceu dos 11 anos ao 16 na associação, quando conseguiu o diploma do magistério e uma vaga de estagiária no colégio do bairro. Hoje Mileide está no último ano no cruso de Pedagogia, e já passou em um concurso municipal. Ela também ajuda na associação e ministra aulas de higiene pessoal e maquiagem. “Aqui eu tive um norte para minha vida. A Maria incentiva todo mundo a estudar, ter uma profissão; fazer alguma coisa para as outras pessoas”, explicou.

Para a professora em formação, ela é a prova de que a doação pode mudar uma vida. “Todo mundo pode fazer alguma coisa. Se as pessoas tivessem um pouco mais dessa consciência, a nossa sociedade não estaria do jeito que está. Falta um olhar misericordioso para o outro, sem julgar, cada um tem uma história e essa história precisa ser respeitada. Todo mundo tem o direito de uma segunda chance” exclamou Mileide Menezes.