Umuarama

Dia do Combate ao Fumo

Umuaramense fala do sofrimento de quem tentar deixar o vício do tabagismo

29/08/2020 11H42

Fernando Zacardi fuma uma carteira de cigarro por dia e dependendo do seu estado emocional chega a té duas

Um dos vícios mais dramáticos do ser humano, o tabagismo promove dor e sofrimento, principalmente para as pessoas que tentam deixar de fumar. Hoje no Dia Nacional de Combate ao Fumo, o jornal Umuarama Ilustrado conversou com Fernando Zacardi, fumante há 24 anos, e que já tentou largar do vício em várias oportunidades, porém todas sem sucesso.

Segundo Zacardi, ele fuma uma carteira de cigarro por dia e dependendo do seu estado emocional chega a té duas. O umuaramense ressalta que gostaria de parar de fumar, mas já tentou algumas vezes e não teve sucesso. “Já tentei parar de fumar algumas vezes, a última foi quando minha mãe faleceu. Fiquei sem fumar por quatro meses, com a ajuda de um medicamento. Porém, quando parei com a medicação voltei a fumar com mais força”, ressaltou.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), só no Brasil são mais de 22 milhões de tabagistas, o que gera um impacto grande na saúde e também na economia.

“Gostaria de parar, por questões de saúde. Eu não consigo correr, andar distâncias longas, pois sinto falta de ar. Em algumas situações até tomando banho me dá canseira. Quero ter uma qualidade de vida melhor. Além disso tem a questão financeira, no fim do mês gasto mais ou menos R$ 180 com cigarro”, ressaltou Fernando Zacardi.

A QUÍMICA NO CÉREBRO

O entrevistado conta que antes de dormir faz um propósito de não fumar mais. Mas, no dia seguinte, quando ele começa passar o café o desejo por fumar começa a se fazer presente e as reações químicas das substâncias do cigarro e no cérebro são mais fortes que o fumante. “Começo a ficar ansioso e tenso, pois vem o desejo de fumar, mas eu não quero. Não consigo me controlar e fico bravo, chateado por não ter controle, não ter domínio. Depois que fumo daí vem a frustração. Como uma pessoa não consegue dominar um vício, que nem nasceu comigo? Fico muito deprimido”, explicou.

PROBLEMAS DE SAÚDE

Conforme a pneumologista de Umuarama Alana Anne Kanedo Garcia, o tabagismo contribui para os casos de hipertensão, diabetes, cardiopatias, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, acidentes vasculares cerebrais e câncer de pulmão. “E tudo isso também se agrava no momento em que o mundo vive a pandemia da covid-19”, alertou.

A especialista também registrou que o tabagismo é um problema da Saúde devido à dependência química criada no fumante, o qual precisa ser tratado por completo. “Percebemos que com a pandemia, algumas pessoas que haviam deixado de fumar voltaram”, ressaltou.

Segundo pneumologista Alana Anne Kanedo Garcia, além dos setores da saúde, a luta contra o tabagismo deveria ser pensada abrangendo diverso setores

CENÁRIO

O tabagismo é fator de risco para transmissão do vírus e para o desenvolvimento de formas mais graves de covid-19. Além disso, o vício de fumar também é considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A epidemia global do tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano por doenças crônicas não transmissíveis relacionadas ao seu consumo, das quais cerca de 1,2 milhão ocorre em não fumantes que morrem exatamente de doenças relacionadas ao tabagismo passivo.

Quase 80%, mais de 1 bilhão de fumantes em todo mundo, vive em países de baixa e média renda, onde o peso da doença e mortes relacionadas ao tabaco é ainda maior.

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Interferências

O pesquisador do Inca André Szklo destacou as interferências (no campo jurídico e político) e as estratégias de marketing usadas pela indústria do tabaco no Brasil para influenciar a sociedade. Ele citou como exemplo a lei de proibição de fumo em recintos fechados, de 1996, que levou praticamente 20 anos para ser implementada em todos os municípios. “Isso não se deu por acaso, houve uma pressão na época da liberação da lei no ambiente político”, disse, acrescentando que o argumento, naquele momento, era de que seria preciso garantir os direitos iguais de quem queria ou não fumar nesses locais. Para André Szklo é importante que, dentro da discussão da reforma tributária, voltada para a simplificação dos impostos, se garanta o aumento da carga tributária sobre o tabaco para aumentar o preço final do cigarro.