ARTIGO

Estamos em campanha eleitoral e os resultados do primeiro turno estão à nossa frente. Se até aqui são favoráveis a um lado, isso é do jogo da Democracia, onde tudo se resolve dentro da lei. Logo à frente, o que resta ao campo progressista, é o segundo turno para Presidente da República. Ali, qualquer resultado, vitória ou derrota, há que ser aceito por ambos os lados e, vida que segue. Somos civilizados, e assim precisa ser no regime democrático.
O que vi, na disputa eleitoral, foi uma pobreza total na agenda que deveria interessar à Nação inteira. Pouco, ou nada se tratou dos programas de governo para cuidar das necessidades reais de cada um dos brasileiros. Falo de emprego, salários, aposentadorias, educação, saúde, programas sociais, inclusão social e outras que não me ocorrem, mas que são vitais para a gente toda e não só para meia dúzia. Também não se falou como vamos cuidar do meio ambiente, protegendo a Amazônia aviltada, nossos biomas e as matas que restam, pedindo socorro. É ali, na sua preservação que está a condição existencial da agricultura e da própria economia. Se somos sustentados por ela, é trivial que se entenda isso. Sem chuvas, tem boi sem pasto e lavoura sem colheita. Atrás disso, todo o resto sofrerá penosas e duras conseqüências.
Também vi que os debates ficaram em corrupção, crime e segurança. Aquela, claro, precisa ser combatida sempre, onde ela estiver. Já o crime e a segurança só terão enfrentamento sensível e eficaz, na união estreita e compartilhada de todas as forças policiais. Estados para um lado, União só com a polícia federal e municípios ausentes, dá na estupidez do “cada um por si e ninguém por todos”. No Congresso, dorme o projeto do “SUSP” (Sistema Único de Segurança Pública), integrando inteligência e ações compartilhadas entre todas as forças policiais que pode ser a melhor solução para a segurança de todos. O projeto ainda dorme um sono letárgico nas gavetas do Congresso nacional. Há que acordá-lo e pô-lo em prática. Penso que é luz para a solução.
Agora, a campanha política irá ao segundo turno. Será fundamental comparar os candidatos Lula e Flávio. Saber quem é quem, o que fez e o que fará. Analisar o passado e o presente de cada um. Se votar é poder decidir o governo, é preciso conhecer o programa de cada um e escolher o que será melhor para todos. Meus princípios e idéias já têm seu candidato. Por respeito à liberdade do leitor, não aponto o nome, mas torço que o voto dele seja pela Democracia e pelo Brasil soberano, uma pátria amada por todos e para todos.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).