Aragão Filho

06/04/2021

Uma Páscoa envolta em melancolia

06/04/2021 05H36

Eliseu Auth

Escrevo no domingo de Páscoa. Antes que algum ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado” ou freqüentador das redes sociais me repreenda, digo que Páscoa sempre foi será a maior festa da cristandade. Sem a ressurreição, que sentido teria ser cristão? Tirante isso, o lado festivo está envolto em clima de tristeza por mais de 330 mil brasileiros assassinados pelo covid. Não gostaria de falar disso e nem lembrar que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas. Nossas autoridades federais subestimaram o vírus, não ouviram os cientistas, xingaram a máscara, promoveram aglomerações e deixaram de adquirir as vacinas que faltam. Um descalabro que agora querem remediar.

Ninguém devolve as vidas que se foram. Fomos incautos e prolongamos a pandemia por não fazer o que deveríamos ter feito para evitar que o vírus se alastrasse. Insistimos no falso dilema entre saúde e economia, quando todos sabem que esta só voltará ao normal quando o vírus estiver sob controle. Bons tempos aqueles em que a gente se reunia em família, ía à missa da Páscoa, se abraçava, comia chocolate “Neuguebauer” e ovos pintados que o coelhinho trazia. Ainda tomava gasosa e cantava aleluias ao Cristo ressuscitado. Agora, nem dá para juntar parentes. Aí bate um misto de dor e de saudade pelos amigos, familiares e conhecidos que se foram para nunca mais voltar. Por isso, sobre esta Páscoa paira um ar bucólico de melancolia e de mil apreensões.

Mas, é Páscoa. Para os que crêem, o Dia da Ressurreição de quem se sacrificou por nós. Ainda que seja uma Páscoa envolta em melancolia.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).