DIA DOS PAIS

Há histórias que traduzem o verdadeiro significado do amor. Em Umuarama, a trajetória da família do advogado Robson Meira dos Santos é uma delas. Após anos de luta contra uma doença rara, ele será o doador de parte do próprio fígado para salvar a vida do filho Augusto Meira dos Santos, de apenas 8 anos.
A cirurgia, prevista para acontecer no fim deste mês, em Curitiba, representa a esperança de uma nova vida para o menino, que desde os primeiros dias de vida enfrenta uma batalha pela sobrevivência.
Augusto nasceu em 2018 e, logo nos primeiros dias de vida, contraiu o vírus Influenza H1N1. O quadro foi grave e exigiu internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Norospar, em Umuarama. Após vencer a infecção, outro desafio surgiria poucos meses depois.
Quando tinha apenas nove meses de idade, o menino foi diagnosticado com colangite esclerosante, uma doença autoimune que compromete os canais biliares e provoca lesões progressivas no fígado, levando à cirrose.
Desde então, a rotina da família passou a ser marcada por consultas, viagens, exames e procedimentos médicos. O tratamento é acompanhado pela hepatologista Daniela Donha Ouno, no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, enquanto em Umuarama o atendimento é realizado pelo médico Eduardo Sell Schulz.
Ao longo dos últimos anos, Augusto precisou passar por diversos procedimentos, incluindo biópsias, endoscopias e ligaduras elásticas para controlar as complicações provocadas pela doença.

Hemorragias agravaram o quadro
Em maio deste ano, a situação tornou-se ainda mais delicada.
No dia 30 de maio, Augusto sofreu uma grave hemorragia causada por varizes no esôfago e precisou permanecer internado por vários dias na UTI do Hospital Norospar.
Menos de dois meses depois, em 18 de julho, um novo episódio de hemorragia, desta vez provocado por varizes no estômago, levou o menino novamente à UTI, desta vez no Hospital Pequeno Príncipe.
Após a repetição dos episódios, a equipe de hepatologia concluiu que o transplante de fígado era a única alternativa capaz de devolver qualidade de vida à criança.
A resposta veio do pai
Ao receber a notícia de que o filho precisaria de um transplante, Robson não hesitou. Iniciou imediatamente uma série de exames para verificar se poderia ser o doador.
A resposta veio no último dia 3 de agosto: a compatibilidade foi confirmada. Agora, pai e filho aguardam apenas a realização da cirurgia, prevista para acontecer no final deste mês.
“Quando recebemos a confirmação da compatibilidade, foi um sentimento difícil de explicar. Saber que posso fazer algo para dar ao meu filho uma nova oportunidade de viver é um presente”, resume Robson.
A doação de fígado
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o transplante de fígado pode ser realizado entre pessoas vivas.
No procedimento, um doador saudável cede parte do órgão — normalmente o lobo esquerdo, que representa cerca de um terço do fígado quando o receptor é uma criança.
O fígado possui uma característica única entre os órgãos humanos: sua extraordinária capacidade de regeneração. Em poucos meses, tanto a parte que permanece no organismo do doador quanto a parte transplantada no receptor recuperam praticamente seu tamanho e funcionamento normais.
Doação de órgãos
Embora Augusto tenha encontrado no próprio pai o doador compatível, milhares de brasileiros ainda aguardam por um transplante e dependem exclusivamente da doação de órgãos após a morte.
Especialistas reforçam que conversar sobre o tema dentro de casa é fundamental, já que a autorização da família é indispensável para que a doação aconteça.
A história de Robson e Augusto mostra que doar um órgão vai muito além de um procedimento médico. É um gesto capaz de transformar dor em esperança, medo em coragem e amor em vida.
Agora, enquanto aguardam o transplante, a expectativa da família é que a cirurgia permita a Augusto deixar para trás anos de internações e complicações, podendo viver a infância com a qualidade de vida que sempre sonharam.