ARTIGO

Pois é. Acontece, mas não deu. Brasileiros e amantes do futebol que somos, ficamos tristes com a prematura eliminação na copa do mundo. Não era para ser assim. A gente botava fé na seleção. Em dia de jogo, a cidade ficava em silêncio e no campo as pessoas paravam a lida para torcer. Paciência, se não deu e vida que segue. Reveses são da vida e não nos tiraram o orgulho de sermos a pátria do futebol nos cinco títulos que temos. Pode ser pieguice minha, mas conforta que, por enquanto, não seremos ultrapassados.
Mesmo no tropeço, temos razões e história para nos orgulhar do futebol que gostamos. Aqui, e no mundo inteiro, ele é mais que mera diversão. Virou uma instituição e um modo de vida que garante ocupação, trabalho e renda para tantos, sem distinção de cor, classe, sexo ou origem. De lambuja, leva saúde e diversão, aproxima pessoas, povos e nações, num silencioso magistério que exorta para a convivência fraterna, respeitosa, pacífica e civilizada.
Temos história. Em 4.2.1969, nosso Pelé, o maior de todos, e seu Santos foram à Nigéria, onde pararam a guerra de Biafra que castigava aquela Nação. Ali, congraçou governistas e insurgentes para ver o Santos jogar. Depois, em 2.004, nossa seleção foi ao Caribe e levou trégua ao conflito interno do Haiti.
Falei da essência do futebol que educa o mundo, onde aproxima povos, promove paz e semeia fraternidade. Mas, há coisas que abespinham a alma da gente. Se a Fifa comanda o futebol, na abertura da Copa deveria enaltecer o seu papel. Aproveitar o momento para exaltar o sonho de um mundo melhor. Não ouvi uma palavra em favor da paz no mundo. Por ironia, já tinha visto o presidente Gianni Infantino entregar a “medalha da paz” ao presidente americano que sedia a Copa. Seria ele símbolo da paz? Que o digam a guerra do Irã, o massacre de Gaza, os tarifaços, o negacionismo e o multilateralismo.
Vida que segue, o laureado não aceitou o árbitro somali e nem deixou atletas do bombardeado Irã, dormirem no seu país. Mas, veio o pior. Pediu ao presidente da fifa que anulasse a expulsão de um atleta do seu país. Pasmem! Foi atendido, quebrando regras, protocolos e a própria soberania da FIFA. Mais que uma pena, foi um erro histórico que abriu um precedente perigoso.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).