Dr. Eliseu Auth

09/03/2021

Um Passeio rumo à civilização

08/03/2021 20H59

Eliseu Auth

Os homens começaram bárbaros. Quem podia mais, chorava menos e a lei, quem fazia, eram os déspotas. O poder sem limites era deles. Foi a capacidade de pensar e raciocinar e o passar de um longo tempo que conduziu a humanidade a um estágio superior chamado civilização. Aurélio define-a como “Estado de progresso e cultura social” e nele, a grande questão estava no poder. Seria justo que um só tirano mandasse, ou as pessoas deveriam ter um regime que os ouvisse e respeitasse? Esta é a questão.
Heródoto, 440 a.C., viajou pelo mundo e registrou suas histórias. Por isso, tem o título de “Pai da História”. Desde 500 a.C., Atenas instaurara um sistema democrático de governo. Impressionado com a invasão da península grega pelos tiranos persas, em 490 a.C., Heródoto desabafou: “O governo do povo (…) traz primeiro consigo o mais belo de todos os nomes: igualdade perante a lei (…) Acabemos com o governo de um homem só e elevemos o povo ao poder, pois tudo está na maioria”. (in J. R. Castro Neves).
Aos que usam a bíblia e fazem pregações extremistas, recomendo que leiam as Cartas de São Paulo aos Gálatas e Coríntios, onde assenta a igualdade entre os homens. Ela é fundamento da civilização. Cristo é libertador e não ditador. Nas ditaduras e governos sem lei, as pessoas não são nada. São párias dos tiranos e ditadores. O Estado dever ser justo e a ferramenta é o Direito que protege a liberdade do cidadão. Ditadura alguma faz isso.
Com a filósofa judia-alemã Hannah Arendt termino esta reflexão: “Não resta nenhuma outra causa a não ser, a mais antiga de todas, a única, de fato, que desde o início da nossa história determinou a própria existência da política: a causa da liberdade em oposição à tirania.”
Quis alertar os incautos que defendem o extremismo. Dizer-lhes o que precisa ser dito, para o bem, inclusive deles, neste passeio rumo à civilização.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).