ARTIGO

Escrevo minha reflexão com o ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado”, no dia dos pais que o calendário celebra no segundo domingo de agosto. Não é qualquer coisa, ser pai. Ao lado da mãe, é muito mais que mero título honorífico. É missão sagrada que precisa cuidar da criatura que põe no mundo, onde ela espera existir e aprender o como da vida, nesta existência terrena. Sei o que é ser pai porque o sou. Se fiz o que fiz, também sei que poderia ter feito mais, ter sido melhor e mais presente na vida dos filhos. Brincado mais com eles, contado mais histórias e acompanhado mais seus estudos e sua aprendizagem. O tempo passou e aqui estou eu com a minha angústia.
Refleti no título, “um olhar à frente” que quer entender o “porque” da nossa existência. Sei que é questão pretenciosa, mas ela não se aparta de quem existe e pensa. Na minha biblioteca, desde 1971, tenho o livro “Estudos de problemas brasileiros”, do Padre jesuíta Francisco Leme Lopes. De visão religiosa, já no intróito, ele parte do pressuposto da existência de Deus e de obrigações morais que só têm sentido na relação com o “Ser Superior”. Ali, cita Luiz Veuillot que quer: “saber se o homem deve nascer, viver, unir-se, receber, transmitir e deixar a vida como uma criatura de Deus, a Deus destinada, ou como larva aperfeiçoada, originária unicamente das fermentações do lodo da terra.” E pergunta: “A vida humana será apenas a afirmação de um instante entre dois silêncios eternos? Os homens não passarão de candidatos a cadáveres? Serão apenas futuros mortos? Antes: nada… Depois: nada…? Espera-nos o sono ou o despertar…? E o sacerdote responde: “Analfabetos da vida os que ignoram a resposta. (op. cit.3ª ed. Renes pág. 11).
Limitados que somos, recorro a Kant e sua metafísica pura que não alcança Deus que é “noumenon” e está acima do intelecto humano que só consegue raciocinar sobre os fenômenos visíveis. Ainda em Kant, vou à sua Crítica da razão prática, onde cabe uma metafísica cristã que vê finalidade nas ações do ser humano e conclui pelo imperativo categórico. Então, pela fé que tenho de berço, creio em Deus, fonte e origem de todo o bem. Rezo, faço o sinal da Cruz, amo o próximo que é mandamento seu e procuro seguir a virtude. Aos meus alunos na graduação de Direito, lá na grande UNIPAR, na última aula, advertia que cressem n´Ele e praticassem o bem. Se Deus não existisse, nada perderiam. Mas se existir, tudo ganhariam. Era o meu derradeiro raciocínio lógico, feito conselho de pai para filho, aos queridos alunos de quem me despedia. Um conselho do meu olhar à frente.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).