Dr. Eliseu Auth

Eliseu Auth

Um gesto para a história

14/12/2020 22H54

Eliseu Auth

Se eu tivesse vivido nos idos do século e XVIII, seria entusiasta do movimento cultural chamado “Iluminismo”. Também seria contra o poder absoluto dos reis e defenderia a igualdade entre as pessoas. Ainda combateria quaisquer privilégios. Dali nasceu a revolução francesa que derrubou a monarquia e escreveu a “Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão”.

A população francesa, jacobinos e girondinos queriam o fim da realeza. Os girondinos, mais moderados, se opunham à truculência e aos excessos do tribunal revolucionário, dominado pelos jacobinos Robespièrre e Marat que mandavam à guilhotina até os moderados e meros críticos do autoritarismo. Nisso, foram iguais aos ditadores, negando o direito de expressão e de opinião. Tirando os excessos que mataram muitos franceses, a revolução deixou como legado a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”. Ali, já no primeiro artigo, deixaram inscreveu os dois princípios fundamentais do mundo civilizado: Igualdade e Liberdade: “Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”. Esses princípios dão base e fundamento a todas as constituições democráticas do mundo pós-revolução.

Feito o intróito, vou à questão: No dia 08.12.2020, os jogadores de dois clubes europeus, PSG da França e Istambul Basaksehir da Turquia, recusaram jogar uma partida de futebol, em protesto contra um ato de racismo de um integrante da arbitragem contra o camaronês Pièrre Webó. A vítima é membro da comissão técnica da equipe turca. Vamos lá. As autoridades do futebol, lá e cá, têm sido complacentes com o racismo. Não dá para tolerar isso, nesta quadra da civilização. Qualquer tipo de discriminação precisa ter resposta imediata e solidária. Somos iguais e irmãos! Pronto! Foi isso que mostrou o gesto dos atletas. Um gesto para a história.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).