Dr. Eliseu Auth

13/04/2021

Um arrematado sofisma

13/04/2021 18H29

Aurélio diz que sofisma é um argumento falso para induzir outro em erro. O termo vem da Grécia que teve sofistas famosos como Protágoras, Evatlo, Górgias, Hípias e outros.  Eram espertos para argumentar, partindo de falsas verdades como premissa de seus raciocínios. Daí resultava uma falsa conclusão. Práticas religiosas podem ser importantes, mas não são atividades essenciais. Ateus e agnósticos sobrevivem sem elas. Portanto, deveriam ser proibidas quando feitas com aglomeração de fiéis, para evitar que o covid-19 se espalhe. Proibi-las não significa atentado à liberdade religiosa. 
Pois é. A questão foi parar na mais alta corte de Justiça do país, que julgou como penso, na semana que passou. Fiquei constrangido quando vi os argumentos do Advogado geral da União e do Procurador-Geral do Ministério Público Federal, ambos nomeados pelo Presidente Bolsonaro e candidatos a uma vaga no STF, como “terrivelmente evangélicos”. Os dois sustentaram que a proibição de cultos presenciais por causa da pandemia ofende a liberdade religiosa como premissa dos seus raciocínios. “Cristãos não matam, mas estão dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”, emendou o pastor André Mendonça que é Advogado da União. Ora, o que está em jogo é a vida e a saúde. Nunca a liberdade de crença. Simples assim!
Concluo. Proibir cultos onde as aglomerações acontecem, quando o vírus se espalha em forma assustadora, não ofende a liberdade religiosa, como querem os áulicos do Planalto. Cada um continua com o direito de escolher a crença, religião ou seita que quiser. O que está em jogo é a saúde e a vida dos fiéis que o Estado precisa proteger, inclusive a vida dos que recolhem o dízimo em nome de Deus. Quem estudou rudimentos de Lógica, vê que os argumentos acima são falaciosos e não passam de um arrematado sofisma.   

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).