18 PARAGUAIOS

Uma operação conjunta do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFRON) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 18 trabalhadores rurais submetidos a condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Ivaté. A fiscalização foi realizada no último domingo (6), após solicitação de apoio do MPT de Umuarama.
As equipes se deslocaram até a fazenda, onde encontraram os trabalhadores atuando na colheita de mandioca. Durante as entrevistas e inspeções realizadas por peritos do Ministério Público do Trabalho, foram constatadas diversas irregularidades que caracterizaram a situação degradante.
Segundo o MPT, as vítimas residiam em uma casa alugada no município de Tapira, considerada totalmente insalubre. No imóvel havia condições precárias de higiene e habitação, além de escassez de alimentos. Conforme relatos colhidos durante a fiscalização, alguns trabalhadores já enfrentavam situação de fome.
As investigações apontaram ainda que os funcionários tinham a liberdade restringida. Eles somente podiam deixar o alojamento mediante autorização do empregador, e apenas um trabalhador, considerado de confiança, possuía aparelho celular.
Outro fator constatado foi a cobrança de despesas como aluguel, água e energia elétrica, que eram descontadas diretamente dos salários. De acordo com os órgãos fiscalizadores, esse mecanismo criava um ciclo permanente de endividamento, dificultando que os trabalhadores deixassem o emprego.
A maioria das vítimas trabalhava na propriedade havia cerca de três meses. Além das condições degradantes de moradia, os trabalhadores também realizavam atividades na lavoura sem equipamentos de proteção individual e relataram sofrer ameaças por parte do empregador.
Entre os resgatados estavam dois adolescentes, situação que também será apurada pelas autoridades competentes.
Após o resgate, os 18 trabalhadores foram retirados do local e encaminhados para uma casa de apoio em Umuarama, onde receberam assistência do Ministério do Trabalho e Emprego.
O empregador foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal de Guaíra, onde foram adotadas as medidas cabíveis.
Segundo informações do Ministério Público do Trabalho, os trabalhadores prestavam serviços para uma empresa terceirizada contratada por uma empresa do setor alimentício.
A empresa alegou não ter conhecimento das condições de trabalho oferecidas pelo empregador terceirizado. Em um acordo mantido sob sigilo, a empresa efetuou o pagamento de todos os direitos trabalhistas devidos às vítimas e custeou o retorno dos trabalhadores ao Paraguai.