Variedades

ARTIGO

Toxoplasmose: o gato realmente é o vilão?

21/01/2026 11H15

Jornal Ilustrado - Toxoplasmose: o gato realmente é o vilão?
Foto gerada por IA

A toxoplasmose é uma doença infecciosa que gera muitas dúvidas e costuma levar a um grande equívoco: culpar os gatos. Mas será que eles são os únicos “vilões” dessa doença? A seguir, esclarecemos alguns pontos importantes e explicamos como se proteger. 

A doença é causada pelo parasito Toxoplasma gondii, um dos mais prevalentes no mundo, infectando cerca de um terço da população global. No Brasil, a infecção apresenta alta prevalência. O parasita pode afetar humanos e animais, formando cistos em órgãos importantes como cérebro, músculos e olhos. 

O ciclo de vida do Toxoplasma gondii envolve um “hospedeiro definitivo”, que são os felinos. Neles, o parasita cresce, se reproduz e elimina oocistos no ambiente por meio das fezes, por um curto período (de 1 a 3 semanas) e apenas uma vez na vida. Esses oocistos precisam permanecer no ambiente de 1 a 5 dias para se tornarem infecciosos. Após isso, podem ser ingeridos acidentalmente por humanos e outros animais de sangue quente, considerados hospedeiros intermediários. Uma vez ingerido, o parasita se dissemina pelo organismo, provocando infecção generalizada. 

Jornal Ilustrado - Toxoplasmose: o gato realmente é o vilão?
Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2025.

Os principais caminhos de transmissão incluem: 

  1. Os oocistos são eliminados nas fezes dos felinos para o ambiente. 
  1. Animais de sangue quente são infectados ao consumir solo, plantas ou água contaminados. 
  1. Gatos contraem a infecção ao ingerir pequenos animais, como ratos e pássaros, que apresentam cistos na musculatura. 
  1. Humanos podem se infectar através do contato com fezes em caixa de areia ou solo, levando as mãos à boca sem a devida higienização. 
  1. Animais de consumo humano, como porcos, vacas ou ovelhas, se infectam ao ingerir solo e pastagens contaminadas com oocistos, que então formam cistos na musculatura. 
  1. A infecção em seres humanos também ocorre pelo consumo de carne crua ou malpassada. 
  1. Verduras, frutas e vegetais podem ser contaminados pelo solo que contém oocistos. 
  1. A toxoplasmose pode ser transmitida por via oral através do consumo de alimentos não higienizados e água não filtrada. 
  1. A transfusão de sangue e órgãos de pessoas com Toxoplasma pode transmitir a doença para indivíduos saudáveis. 

A fase aguda da doença pode passar despercebida em pessoas saudáveis e apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe. Embora muitas pessoas infectadas não apresentem sintomas, a toxoplasmose pode ser grave, principalmente para gestantes, devido ao risco de transmissão ao bebê, e para pessoas com imunidade baixa, como pacientes em tratamento de câncer, transplantados ou indivíduos soropositivos para HIV. 

Os cistos podem permanecer nos tecidos por toda a vida em indivíduos imunocompetentes sem manifestação de sinais clínicos. No entanto, a queda da imunidade pode ser preocupante devido à reativação do parasita em órgãos importantes. 

Quanto ao papel dos gatos, é importante destacar que os felinos são os únicos que eliminam oocistos nas fezes. Porém, o simples contato com o animal não causa a doença. Para que ocorra a infecção por meio dos gatos, é necessário que o felino esteja infectado e eliminando oocistos; que as fezes permaneçam no ambiente por pelo menos 24 horas para se tornarem infecciosas; e que haja contato com as fezes seguido da ingestão acidental, como ao levar a mão à boca sem higienização. 

A prevenção envolve hábitos simples, como evitar a ingestão de carne crua ou malpassada; lavar e esfregar bem legumes, verduras e frutas; consumir água filtrada ou fervida; lavar corretamente as mãos após manipular alimentos, areia ou solo; e realizar a limpeza diária da caixa de areia dos gatos, de preferência com luvas e com higienização adequada das mãos em seguida. Para gestantes, o acompanhamento pré-natal é fundamental, pois a infecção durante a gravidez pode trazer riscos ao bebê. 

Autoria: 

  • Jéssica Priscila da Paz 
  • Rodrigo Garcia Motta 

Programa de Pós-Graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal – PPS
Universidade Estadual de Maringá – UEM