ARTIGO

A toxoplasmose é uma doença infecciosa que gera muitas dúvidas e costuma levar a um grande equívoco: culpar os gatos. Mas será que eles são os únicos “vilões” dessa doença? A seguir, esclarecemos alguns pontos importantes e explicamos como se proteger.
A doença é causada pelo parasito Toxoplasma gondii, um dos mais prevalentes no mundo, infectando cerca de um terço da população global. No Brasil, a infecção apresenta alta prevalência. O parasita pode afetar humanos e animais, formando cistos em órgãos importantes como cérebro, músculos e olhos.
O ciclo de vida do Toxoplasma gondii envolve um “hospedeiro definitivo”, que são os felinos. Neles, o parasita cresce, se reproduz e elimina oocistos no ambiente por meio das fezes, por um curto período (de 1 a 3 semanas) e apenas uma vez na vida. Esses oocistos precisam permanecer no ambiente de 1 a 5 dias para se tornarem infecciosos. Após isso, podem ser ingeridos acidentalmente por humanos e outros animais de sangue quente, considerados hospedeiros intermediários. Uma vez ingerido, o parasita se dissemina pelo organismo, provocando infecção generalizada.

Os principais caminhos de transmissão incluem:
A fase aguda da doença pode passar despercebida em pessoas saudáveis e apresentar sintomas semelhantes aos de uma gripe. Embora muitas pessoas infectadas não apresentem sintomas, a toxoplasmose pode ser grave, principalmente para gestantes, devido ao risco de transmissão ao bebê, e para pessoas com imunidade baixa, como pacientes em tratamento de câncer, transplantados ou indivíduos soropositivos para HIV.
Os cistos podem permanecer nos tecidos por toda a vida em indivíduos imunocompetentes sem manifestação de sinais clínicos. No entanto, a queda da imunidade pode ser preocupante devido à reativação do parasita em órgãos importantes.
Quanto ao papel dos gatos, é importante destacar que os felinos são os únicos que eliminam oocistos nas fezes. Porém, o simples contato com o animal não causa a doença. Para que ocorra a infecção por meio dos gatos, é necessário que o felino esteja infectado e eliminando oocistos; que as fezes permaneçam no ambiente por pelo menos 24 horas para se tornarem infecciosas; e que haja contato com as fezes seguido da ingestão acidental, como ao levar a mão à boca sem higienização.
A prevenção envolve hábitos simples, como evitar a ingestão de carne crua ou malpassada; lavar e esfregar bem legumes, verduras e frutas; consumir água filtrada ou fervida; lavar corretamente as mãos após manipular alimentos, areia ou solo; e realizar a limpeza diária da caixa de areia dos gatos, de preferência com luvas e com higienização adequada das mãos em seguida. Para gestantes, o acompanhamento pré-natal é fundamental, pois a infecção durante a gravidez pode trazer riscos ao bebê.
Autoria:
Programa de Pós-Graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal – PPS
Universidade Estadual de Maringá – UEM