ESPECIALISTA AFIRMA

Nos dias atuais um dos maiores desafios enfrentados pelos pais é controlar e reduzir o tempo que os filhos menores passam em frente a telas, seja celular, tablet, games ou computador.
Para auxiliar pais e mães nesta tarefa, o Alfa Integral Umuarama promoveu nesta quarta-feira (13) a palestra com o tema “Celular, TV, internet, games, redes sociais e sua influência nas crianças e adolescentes” com o professor e psicólogo Marcos Meier. O evento ocorreu no Centro Cultural Vera Schubert e reuniu centenas de participantes.
Segundo o palestrante, não há fórmulas prontas, mas o caminho para se obter sucesso na criação dos filhos e por consequência, conseguir que eles permaneçam menos tempo ‘ligados’, está no equilíbrio entre o afeto e a autoridade de qualidade. “E não seja amigo do seu filho. Amigo vai acobertar se ele fizer algo errado. Você, como pai, como mãe, tem que corrigir”, afirmou.

Ele ressaltou a importância de criar vínculos afetivos, do sentimento de pertencimento a ser despertado nos filhos junto ao núcleo familiar e que isso é possível, mas depende principalmente de muita dedicação por parte dos pais.
“Quer que seu filho seja inteligente, que o cérebro dele se desenvolva, que ele desenvolva sua percepção e desenvolva novas conexões cerebrais? Precisa deixar ele se sujar”, enfatizou o professor.
Meier é partidário de que brincadeiras antigas e tradicionais, que promovem o desenvolvimento da coordenação motora, que envolvam atividades físicas e ao ar livre, desafios e criatividade são essenciais de serem vivenciados pelos pequenos. E ainda defendeu que antes dos 3 anos de idade crianças não tenham contatos com telas.
“Mude a sua forma de ver as coisas. Se a sala está toda bagunçada, com brinquedos espalhados, veja o local como um centro de desenvolvimento da criatividade do seu filho. Ele não pode ficar na posição passivo-aceitante de uma criança que fica muito tempo na tela e apenas ‘rola’ o dedo para mudar de uma coisa para outra”, explicou. E de quebra ainda o ensine a importância de guardar e arrumar tudo ao final da diversão, desenvolvendo o sentimento de pertencimento.

“A criança tem que crescer fazendo parte do dia a dia da casa e tendo responsabilidades, que pode começar com lavar a louça, recolher os brinquedos ou cuidar do cachorro”, afirmou.
Segundo o professor Marcos Meier, essas ações, unidas a uma autoridade equilibrada, sem excessos, ajuda a criança e o adolescente no seu amadurecimento emocional e os tornam capazes de lidar com a frustração, com a ansiedade e a se tornarem pessoas fortes emocionalmente para enfrentarem a vida adulta. “Temos que desenvolver a autonomia para que sejam capazes de tomar decisões e terem a capacidade de ajudar aos outros”, enfatizou.
Didaticamente o professor enumerou três pontos para facilitar o entendimento dos pais: conquista através de desafios, a resolução de problemas e a superação de dificuldades. “Criança superprotegida é atrasada mentalmente. Não faça tudo pelo seu filho. Isso não o ajuda”, afirmou.
Segundo Meier, filhos que vivem em um ambiente repressivo, com excesso de autoridade e cobrança tem até seis vezes mais pensamentos suicidas do que aqueles em que estão em um ambiente onde não há o excesso de pressão social, seja dos pais ou da escola.
O professor entende que regras demais e excesso de autoridade destrói a autoestima da criança, que nunca irá se considerar merecedora ou capaz de alcançar as expectativas criadas pelos pais. “Com adolescente não impomos nada. Combinamos antes, acordamos. E não tenha medo de dizer ‘não’ e manter esse ‘não’. Seus filhos têm que saber o que pode ou não fazer”, afirmou Meier.

De acordo com o professor Marcos Meier, a partir do momento em que a criança e o adolescente são criados em um ambiente equilibrado, vão amadurecer emocionalmente, sendo capazes de lidar com a frustração e a aprender a adiar a satisfação do prazer, colocando as obrigações a frente.
“Jogar videogame é bom? Claro que é. Mas seu filho tem que aprender que não pode fazer apenas isso. Se ele precisa estudar para o vestibular de 4 a 5 horas sozinho, além do que estuda na escola, internamente deve aprender a adiar o que é prazeroso”, explicou.