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DIAGNOSTICO E TRATAMENTOS

Roncar vai além do incômodo social pode proporcionar doenças isquêmicas

05/10/2020 08H43

O ronco é a vibração das vias aéreas (nariz e garganta), que ocorre por causa da dificuldade da passagem de ar para respirar, durante o sono, e pode afetar homens, mulheres e até crianças. O ato de roncar, além do desconforto social, também pode desencadear distúrbios e o aparecimento de doenças, por isso, identificar os motivos do problema é importante para a manutenção da saúde.

Conforme o médico pneumologista Renato Ricci Kauffmann, parar de roncar é um desejo e o primeiro passo é verificar em que fase está esse ronco, para isso é preciso fazer o exame de polissonografia. Esse estudo monitora os estágios do sono, bem como a atividade cerebral, o desempenho cardíaco, o relaxamento muscular e a oxigenação do sangue.

“Um terço da população adulta pode ser acometida pelo ronco, situação pode levar a desencadear outras doenças, além de causar desconforto e o cansaço, situação que vai afetar o desempenho diário da pessoa”, disse.

Dentre os problemas ressaltados pelo médico, o ronco é capaz de levar ao desenvolvimento da síndrome da apneia obstrutiva do sono, que são as pausas respiratórias por mais de 10 segundos. A apneia faz com que o sono fique fragmentado e a pessoa não atinja a fase que proporciona o descanso e recuperação do corpo. “Isso afeta a vida do paciente que ronca, pois durante o dia ele vai ter sonolência, déficit de atenção e perda de memoria. A apneia também promove queda do oxigênio no sangue que aumenta o risco do paciente desenvolver doenças isquêmicas como infarto e avc (acidente vascular cerebral).

Outros problemas acarretados pela apneia é a possibilidade do desenvolvimento da diabetes, hipertensão e obesidade.

TRATAMENTO

Dentre os tratamentos, o médico pneumologista Renato Ricci Kauffmann ressalta que deve ser iniciado pelo exame da polissonografia. “É precisa entender em qual estágio de ronco e apneia o paciente está para conduzir o tratamento”, explicou.

O tratamento do ronco primário consiste em perda de peso, correção do decúbito durante o sono, evitar sedativos, tratamento da rinite alérgica e da obstrução nasal e parar de fumar.

Posteriormente, dentro de uma tabela de classificação de intensidade do ronco, as intervenções podem ser não cirúrgicas com uso de dispositivo intra-oral e o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) que é um aparelho compressor de ar, o qual leva pressão positiva contínua nas vias aéreas. O uso do CPAP no tratamento para apneia do sono consiste em evitar o fechamento da passagem do ar para os pulmões, causadas por desvio de septo, adenoide, relaxamento excessivo da língua, estreitamento das vias aéreas superiores e entre outros que favorecem a apneia do sono e o ronco.

Existem também as intervenções cirúrgicas, nasal, palato e até bariátrica.

ODONTOLOGIA MIOFUNCIONAL

O tratamento Odontologia Miofuncional, para corrigir os hábitos orais incorretos, também entra nas formas de tratamento do ronco, segundo a cirurgiã dentista Priscila Vieira. “Muito tempo buscamos atuar nos sintomas do ronco, a exemplo de aparelhos da odontologia que avança a mandíbula para dar espaço para a passagem do ar. Mas neste sistema buscamos tratar a causa, que seria um paciente respirador bucal crônico”, disse.

Dentro do sistema myobrace, o aparelho bucal corrige o posicionamento de língua e da mandíbula, desta forma, oferecendo uma reeducação dessas estruturas, explicou a dentista. “Devolver o posicionamento da língua e liberar a passagem, e desta forma levar o paciente a respirar pelo nariz. O que fazemos e devolver a respiração natural da pessoa”, explicou.

Dentro do tratamento o paciente também precisa realizar exercícios para devolver as força as estruturas da língua, lábios e bochechas. Desta forma, voltar a respirar pelo nariz. “Nascemos respirando pelo nariz. Mas por uma pega errada na mamada, como também, pelo uso de chupetas e mamadeiras essa criança pode desenvolver a respiração bucal e através disso iniciar o processo do ronco, o que vai desequilibrar todo o corpo”, ressaltou Priscila Vieira.

Na fase adulta, dependendo da intensidade do ronco, o tratamento também precisa de acompanhamento do pneumologista.