Umuarama

Infraestrutura

Região de Umuarama cresce em agropecuária, mas poderia ser melhor

30/09/2018 06H00

Com o maior rebanho de gado de corte e leite do Paraná, a regional de Umuarama também se desenvolve na produção de soja, mandioca e cana-de-açúcar. Entretanto, os números poderiam ser ainda melhores, conforme o Departamento de Economia Rural de Umuarama (Deral). Investimento em empreendedorismo por parte dos agricultores, assistência técnica dos órgãos agrícolas e abertura de crédito pelas instituições financeiras, seriam itens essenciais para dobrar a produção regional.

Com 21 municípios interligados, a região de Umuarama detém 4,5% da área agricultável do Paraná e na última safra produziu R$ 3,6 bilhões. Só o rebanho bovino (corte e leite) a regional conta com 950 mil cabeças, o que representa 10% do rebanho paranaense. “Temos algumas culturas importantes, como o boi, frango, soja e cana-de-açúcar. Hoje o principal produto é o boi corte/leite e só a cidade de Umuarama é o terceiro rebanho do estado inteiro. Mas esse número pode ser dobrado facilmente, aumentando animais por área”, disse o agrônomo do Deral, Antônio Carlos Fávaro.

Com conhecimento de mais de 30 anos visitando as propriedades da região, o economista do Deral, Ático Luiz Ferreira, explica que além das culturas tradicionais, Umuarama apresenta potencial para as frutas, como a laranja. “Estudos mostraram que nossa terra proporciona um teor maior de açúcar para laranja. Além de potenciais para indústria de transformação, como os frigoríficos. O que precisa é investimento”, alertou.

Ainda na questão do rebanho bovino, a produção de carne e leite gerou R$ 1 bilhão para região e só na rotação de cultura com a mandioca, foram reformados 15 mil hectares de pasto. “Em três a quatro anos é possível aumentar 50% do rebanho bovino e com isso injetar mais R$ 500 milhões na economia regional. Mas como dizemos, para isso, é preciso investimento do produtor, da assistência técnica federal, estadual e municipal, além das instituições financeiras”, enfatizou Fávaro.

Mapeamento Rural – Conforme os técnicos do Deral, existe uma movimentação dos municípios para aumentar os potenciais agrícolas.Neste sentido foi criado o mapeamento de uso e ocupação do solo da região da Amerios e Amenorte.

O levantamento feito pelo Deral usando satélite e visitas as propriedades, identificou onde estão atividades e como estão sendo cultivadas. “Com esses dados podemos focar em uma proposta de desenvolvimento rural sólida. Esse projeto focaria na pesquisa, assistência técnica, crédito e busca de parceiros para levar riqueza ao Noroeste do Paraná. E para isso, também temos que mexer com o produtor rural”, explicou o agrônomo Antônio Fávaro.

EXEMPLOS QUE FAZEM A DIFERENÇA

Pecuária de ponta

Pecuarista e presidente da Sociedade Rural de Umuarama (SRU), Milton Gaiari pode ser chamado de empreendedor do campo. Percebendo a mudança do mercado da carne, com um consumidor buscando qualidade, Gaiari vem há três anos investindo no sistema de confinamento. Hoje o produtor com um barracão de mil metros quadrados está abatendo 600 cabeças por ano e mais 300 no sistema convencional. “O pecuarista, como em qualquer outro ramo da agricultura, precisa se profissionalizar. É preciso produzir o ano todo e atender as exigências do mercado. Hoje temos uma carne com 100% de cobertura e qualidade de ponta”, disse.

O investimento e inovação mudou o cenário da propriedade do pecuarista, elevando a qualidade de mão de obra, do produto e uniformidade na receita. “A produção rural é a grande indústria da região. Quem investir em inovação e tecnologia vai produzir mais e melhor. Isso desenvolve a região em vários setores dentro do trabalho direto e indireto”, explicou o presidente Gaiari.

Soja e algodão

Gerson Magnoni Bortoli vai além do normal em sua produção de soja, algodão e gado. A anormalidade do agricultor é conseguir produzir, em média, 70 sacas de soja por hectare no solo Arenito Caiuá, que segundo alguns técnicos, um solo impossível de se produzir algo. Mas não é só isso, o empreendedor rural e presidente do Sindicato Rural faz parte de um projeto de produção de algodão na região de Umuarama, uma cultura extinta até então. “Começamos em 2004 com a integração soja e pecuária. Com tecnologia e assistência, a produção cresceu e ganhamos prêmios de produção. Além disso, a soja também proporciona um pasto de qualidade no inverno para o gado”, noticiou.

“O algodão iniciamos em parceria com a Acopar, em um projeto de cinco hectares e este ano vou ampliar para 50 hectares, com plantio no fim de outubro”, ressaltou o produtor. Para Bortoli, é necessário uma mudança de comportamento do pecuarista tradicional, que vê a inovação com resistência. “Precisamos divulgar o que está dando certo. Hoje além de ganhar com a soja e o algodão, a integração da lavrou e pecuária me dá a possibilidade de colocar tranquilamente até 10 cabeças de gado por alqueire” finalizou Bortoli.