OLHO VIVO

Nas últimas semanas um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e grupos de mensagens em Umuarama é a implantação de radares pela cidade. A discussão ganhou corpo após a colocação de um equipamento de testes na avenida Portugal. Até listas com os pontos de instalação foram divulgados. Só tem um problema nesta história. Os equipamentos em processo de instalação não são radares.
Na verdade são câmeras de monitoramento do Programa Olho Vivo, do Governo do Estado. Nesta primeira fase, Umuarama está recebendo 16 de um total de 32 equipamentos. Os pontos de colocação são junto a todas as entradas e saídas da Capital da Amizade, inclusive de bairros mais afastados. O objetivo é fechar a cidade e garantir que em casos de crimes, as forças de segurança pública consigam localizar e pegar os criminosos.
Segundo o secretário de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana, Valdecir Capelli, os equipamentos vão reforçar o monitoramento que já ocorre na Central da Sestran de Monitoramento, que atualmente já conta com 25 câmeras em operação. Mas os equipamentos do Olho Vivo não serão usados para fiscalização de trânsito, apenas para fins de segurança pública.

“As câmeras que são do Município são usadas também para fins de fiscalização no trânsito há muito tempo. Entretanto, os equipamentos do Olho Vivo não terão essa finalidade, Serão usadas apenas para a segurança pública”, explicou Capelli.
Os equipamentos chamadas de câmeras inteligentes são capazes de ler e registrar as placas de todos os veículos que passam pela via. Na Estação Rodoviária e no Pronto Atendimento 24 horas, os equipamentos também realizam o reconhecimento facial. Tudo visando a captura de criminosos e de pessoas com mandados de prisão em aberto.
O programa Olho Vivo começou em Curitiba, Região Metropolitana e Litoral, mas nesta nova fase está sendo implantado no interior. Além de Umuarama, neste momento Cascavel e Guaíra estão recebendo os equipamentos, totalizando 112 aparelhos, levando o Paraná ao total de 830 equipamentos. O objetivo é chegar ao fim do primeiro trimestre com 100% das 1,5 mil câmeras desta etapa em pleno funcionamento.

Um dos maiores programas do tipo no mundo, o Olho Vivo é inspirado em iniciativas de monitoramento por câmeras inteligentes realizadas de modo similar em países como Reino Unido, Singapura e Estados Unidos. No Reino Unido, por exemplo, são cerca de 18 mil equipamentos.
A intenção do Governo do Estado é contar, quando o programa estiver em plena operação, com 26,5 mil unidades de monitoramento. Cinco mil já funcionavam na primeira fase do programa; 1,5 mil estão sendo instalados pelo Estado; e outros 20 mil serão comprados pelos municípios, por meio de parceria com a gestão estadual. O investimento será de R$ 400 milhões.
A principal novidade da fase atual é a ampliação do uso de inteligência artificial para a incorporação da “investigação assistida”. Nesse caso, as câmeras passam a ter maior autonomia, usando ferramentas de análise automática, deixando assim de serem dependentes da observação humana. Os novos equipamentos têm entre os principais recursos o cruzamento de dados, imagens e inteligência artificial em tempo real para auxiliar as forças de segurança no reconhecimento de criminosos e suspeitos procurados e na identificação de veículos de interesse.
O Olho Vivo é coordenado de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública, Secretaria das Cidades e pela Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados, com arquitetura tecnológica desenvolvida para operar em larga escala e em conformidade com a Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais (LGPD).
Segundo o secretário da Sestran, Valdecir Capelli, os radares serão instalados, mas ainda não há data definida. O processo licitatório para a aquisição dos equipamentos ainda não tem prazo para ser concluído. Nesta primeira etapa serão colocados 12 radares em pontos considerados sensíveis, seja pelo não respeito ao limite de velocidade ou quantidade de acidentes na área urbana da cidade.
Mas Capelli faz uma ressalva. Acredita que os números de acidentes, feridos e mortos só vão diminuir efetivamente com a consciência do condutor sobre a necessidade de dirigir com atenção e respeitando os limites de velocidade.
“Em Umuarama, dois fatores contribuem para acidentes terem proporção maior, como capotamentos e colisões envolvendo motos. A falta de atenção do condutor, que muitas vezes se distrai com o celular e o excesso de velocidade”, afirmou. Segundo o secretário, acidentes onde os veículos estão acima de 60 km/h são suficientes para gerar danos de grande monta nos veículos e levar até a morte, principalmente se envolver motociclistas.