‘MACHOS’ EM AÇÃO

Nas últimas semanas o Brasil está chocado por uma onda de agressões graves e mortes de mulheres no contexto do feminicídio e que tem levado a uma reação delas em defesa de seu direito a vida. No domingo, manifestações pedindo o fim da violência foram realizadas em todo o país.
Em 2025, o Brasil registrou mais de 1.180 feminicídios e quase 3 mil atendimentos diários pelo Ligue 180, segundo o Ministério das Mulheres.
Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero indicam que, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero.
Em Umuarama, os dados também refletem essa triste realidade. Entre janeiro e até 1º de dezembro, foram 1.964 casos foram registrados pelos órgãos de segurança. Deste total, 589 ocorreram no contexto da violência doméstica contra a mulher. Em 2024 foram 2.329 casos no total e 699 como violência doméstica contra a mulher. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Paraná.
Somente entre sábado (6) e domingo (7), a Polícia Militar registrou três situações de violência contra a mulher. Todas as agressões e ameaças foram feitas por companheiros ou ex-companheiros, demonstrando que elas não estão seguras nem dentro de seus lares.
Em uma das situações ocorrida em Tuneiras do Oeste na noite de sábado, o homem ignorou a ordem da Justiça para não se aproximar de sua ex-companheira e a ameaçou com um simulacro de pistola. A vítima não soube diferenciar se a ‘arma’ era real ou não e com medo, pediu socorro para a polícia. Os envolvidos têm 21 e 23 anos, demonstrando que as ações públicas educativas continuam falhas em uma sociedade onde o machismo ainda predomina, inclusive entre os mais novos.
Na madrugada de domingo (7) em Alto Piquiri uma equipe da Polícia Militar teve que invadir uma residência após ser acionada por parentes de uma mulher de 24 anos. No flagrante o casal estava exaltado e discutindo. O homem de 26 anos afirmou ter levado dois socos na boca por parte da companheira, que contou estar sendo ameaçada naquele momento e que já foi agredida em situações anteriores.
Em Maria Helena, na noite de domingo, uma mulher foi agredida verbalmente, empurrada e ameaçada de morte por seu companheiro que chegou em casa exaltado e quebrou cadeiras. As ameaças foram na frente dos três filhos do casal. A vítima, de 28 anos, não soube dizer para a Polícia Militar se o marido estava embriagado ou não, mas confirmou a agressividade. O casal foi encaminhado para a delegacia da Polícia Civil.
Na busca por elucidar casos em aberto e coibir a realização de novos, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná realiza a identificação genética de custodiados condenados por crimes sexuais. A ação integra o trabalho contínuo de atualização do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG) e reforça a estratégia do Estado em ampliar a identificação genética de custodiados condenados.
A coleta faz parte do esforço permanente para garantir que todos os presos condenados pelos crimes previstos na Lei de Execução Penal tenham o perfil genético registrado. O procedimento é obrigatório e contribui diretamente para a elucidação de crimes, para a revisão de casos antigos e para a prevenção da violência. Apenas em 2025 já foram realizadas coletas em Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Guaíra e Cruzeiro do Oeste. Ao todo, cerca de 2000 novos perfis foram incluídos no BNPG.
A medida é importante, mas é apenas mais uma ferramenta. O que pode mudar a triste realidade é a mudança de comportamento de toda a sociedade para entender que mulher não é propriedade ou objeto para ‘ter’ dono’ e que pessoas de fora devem sim intervir para cessar uma agressão.