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Psicóloga de Umuarama fala sobre a cultura do cancelamento, significado e consequências

18/04/2021 09H05

Jornal Ilustrado - Psicóloga de Umuarama fala sobre a cultura do cancelamento, significado e consequências
Segundo a psicóloga Thais de Nigro Bastos, o termo cancelamento é relativamente recente e é mais comum entre os usuários das redes sociais

Nos últimos tempos a palavra “cancelamento” surgiu com força no meio digital e caiu na boca do povo há algumas semanas, após acontecimentos ocorridos no programa Big Brother Brasil da Rede Globo. O termo, que hoje é conhecido como a cultura do cancelamento, é conhecido por pessoas com mais tempo de redes sociais, mas nem todo mundo está familiarizado com a palavra, seu significado e consequências.

Segundo a psicóloga Thais de Nigro Bastos o termo cancelamento é relativamente recente e é mais comum entre os usuários das redes sociais, onde surge um ambiente onde os usuários se sentem à vontade para dizer o que pensam, com a impressão de que sua identidade não será revelada.

“O cancelado é uma pessoa ou empresa, anônima ou famosa, e que expressa uma opinião ou conduta vista como questionável e errada para a moral da sociedade ou de um grupo. A partir disso existe um ‘linchamento virtual’. Já os canceladores são pessoas que não concordando com a opinião exposta, boicotam e punem o cancelado com ofensas, exposição do erro e deixando de segui-lo em suas redes sociais. Aí acontece o efeito manada, onde a identificação entre as pessoas faz com que se unam para exaltar ou criticar e acentuar o cancelamento”, explicou Thais Bastos.

Na visão da psicóloga, o cancelamento é o reflexo de uma sociedade imediatista e intolerante, onde as pessoas não têm mais espaço para errar. “Ou as pessoas amam demais ou odeiam demais e se colocam como superiores em relação à pessoa cancelada. O cancelado é visto como alguém não merecedor do perdão e é reduzido ao seu erro.

REFLEXÕES SOBRE O TEMA:

O cancelamento faz parte da sociedade a há anos, porém tratado algumas vezes por outros nomes no ambiente físico e na busca por um entendimento sobre as consequências do ato, a psicóloga Thais de Nigro Bastos abordou algumas reflexões:

  • Xingar e excluir a pessoa, resolve o problema?
  • Será que o cancelador tem a vida tão perfeita que nunca seria criticado por alguma ação ou fala?
  • Você nunca errou ou se arrependeu?
  • Se o cancelador estivesse pessoalmente com o indivíduo que errou, teria as mesmas atitudes?
  • Será que o que queremos enquanto sociedade são pessoas com a mesma opinião?
  • Queremos mesmo reduzir a singularidade, a subjetividade, a opinião diferente?
  • O cancelado pode sofrer psiquicamente com as consequências dessa punição. Sensação de abandono, desprezo, isolamento, irritabilidade, pensamentos destrutivos, podem desencadear quadros de ansiedade, risco de suicídio e depressão?
  • A palavra empatia é muito falada, mas pouco praticada e o mais preocupante, o cancelamento não é instrumento de reflexão, mas sim de punição. Que tal aprendermos a discordar de maneira pacífica, menos agressiva?