DESTAQUE

Quem acompanha os passos do futebol feminino em Santa Catarina, certamente já ouviu falar de Raiane da Silva Alves. Aos 20 anos, a jovem volante do Marcílio Dias e ala do time de Fut7 da Chapecoense vem empilhando taças e se destacando como uma das grandes promessas do esporte na região Sul do país. O que poucos sabem, no entanto, é que o brilho nos gramados catarinenses começou a ser lapidado no bairro Parque Industrial I, no esporte comunitário de Umuarama.
Recentemente, Raiane viveu um dos momentos mais marcantes da sua carreira no Fut7 ao erguer os troféus da Copa Sul e da Copa dos Campeões defendendo a camisa pesada da Chapecoense.

Na Copa dos Campeões, o título veio em uma grande final diante do Athletico Paranaense, vencida pela Chape por 3 a 1. Os gols da vitória catarinense foram marcados por Thamiris, Tai e pela própria Raiane, que balançou as redes e decretou a conquista. O momento, contudo, é ainda mais especial quando somado à Copa Sul, decidida em uma emocionante disputa de pênaltis onde Raiane marcou o gol decisivo do título.
“Nossa, é uma sensação inexplicável, de verdade. Primeiro veio a Copa Sul, aquela tensão de decidir nos pênaltis e fazer o gol do título. Depois, coroar tudo fazendo o gol na final da Copa dos Campeões… passou um filme na minha cabeça, ainda mais jogando com a camisa de um time pesadíssimo. É uma mistura de alívio com uma alegria gigante. Você lembra de cada treino no cansaço, de cada abdicação, e vê que valeu muito a pena”, revelou a atleta.

Da ACERU para o esporte de rendimento
A paixão pelo futebol sempre esteve presente na vida de Raiane, mas foi na ACERU (Associação Cultural, Esportiva e Recreativa de Umuarama), localizada na Avenida Florivaldo Ricieri Tampelini, no Parque Industrial, que sua caminhada ganhou rumo e incentivo.
Na época em que começou, o cenário era bem diferente do atual e poucas garotas praticavam o esporte. Raiane deu seus primeiros passes no projeto sob o comando de Flávio dos Reis, o popular “Buiu”, disputando os campeonatos Interbairros pelas categorias Sub-11, Sub-13 e Sub-15.
“Comecei jogando no projeto da ACERU com o professor Buiu e foi ali que o meu interesse pelo futebol realmente despertou, me fazendo enxergar o esporte com outros olhos. Eu sempre amei jogar, mas ter pessoas que incentivam e acreditam em você faz toda a diferença — especialmente sendo uma menina no meio dos meninos. Hoje a ACERU tem bastante meninas, mas antes não. Ele sempre me colocava para jogar e confiava no meu potencial, me colocando até de titular, onde os meninos ficavam até ‘aterrorizados’ (risos). Eu nunca esqueço disso e levo esses aprendizados para a vida inteira. Sou extremamente grata por tudo”, relembrou a jogadora.
Para Flávio dos Reis, que na época exercia o papel de presidente e treinador da entidade — e que hoje atua como coordenador voluntário e professor —, ver o sucesso de Raiane é a prova viva da relevância social e transformadora que a ACERU exerce na comunidade umuaramense.
“Ver a Raiane brilhando hoje em grandes clubes e conquistando títulos expressivos enche o nosso coração de orgulho. Lembro da determinação dela ainda pequena, treinando firme entre os meninos e mostrando desde cedo uma força de vontade gigante. Esse é o verdadeiro propósito do trabalho que fazemos na ACERU: usar o esporte para acolher, formar cidadãos e mostrar para os nossos jovens do Parque Industrial que, com oportunidade e dedicação, eles podem alcançar o mundo. A trajetória da Raiane é uma inspiração para todas as meninas que hoje chegam ao nosso projeto sonhando com um futuro no futebol”, declarou Buiu.

Foco no Catarinense e voos mais altos
Com a cabeça no lugar e a humildade de quem não esquece de onde veio, Raiane da Silva mantém os pés no chão, mas os olhos bem fixos nos próximos desafios do calendário. Defender o Marcílio Dias no campo segue sendo prioridade para a temporada.
“O meu maior objetivo no momento é ser campeã catarinense pelo Marcílio e ganhar uma vaga no Campeonato Brasileiro. Eu sei exatamente o que eu quero, mas está nas mãos dAquele que sabe de tudo. Que Deus venha recompensar todo o esforço”, finalizou.