EM CAFEZAL DO SUL

Os vereadores de Alto Piquiri, Jeferson Mecânico, Vagner Micheloni estão entre as lideranças da pecuária de leite que preparam para a próxima sexta-feira, dia 31, um protesto na rodovia PR-323, no trevo de Cafezal do Sul. A meta é fechar o tráfego por alguns instantes a partir das 9 horas da manhã. A intenção é chamar a atenção das autoridades e emitir mais um sinal de alerta para que providências sejam tomadas, principalmente pelo Governo Federal, para auxiliar a cadeia produtiva do leite, caso contrário, o setor vai amargar mais prejuízos. Estão apoiando a manifestação os produtores de leite de Pérola, Alto Piquiri e de outros municípios da região. “Será uma manifestação pacífica e todos estão convidados a colaborar com o pessoal do leite”, disse. Micheloni também defende que o Governo Federal ajude o produtor com subsídio que complete, ao menos, o custo de produção.
Deputados apoiam o setor
Na semana passada, Micheloni, juntamente com outros produtores de leite do Paraná, esteve em Curitiba para acompanhar a audiência pública na Assembleia Legislativa, e fazer um apelo aos deputados estaduais e outras lideranças políticas do Estado em favor da cadeira produtiva do leite que vem sofrendo prejuízos em decorrência do baixo preço para ao produtor pelo litro de leite, em torno de R$ 2,20 enquanto o custo de produção passa de R$ 2,40, segundo informou Micheloni ontem em entrevista ao Ilustrado.
E, um importante auxílio aos produtores de leite paranaenses foi assegurado pela Assembleia Legislativa com aprovação do projeto de lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado no estado. A proposta foi apresentada pelo deputado Luis Corti (PSB) e buscar ampliar a proteção à cadeia produtiva do leite no Paraná e garantindo maior transparência ao consumidor.
Conforme Micheloni, cerca de 600 produtores de participaram do evento na ALEP e conseguiram a vitória que é apenas o começo de uma luta que vai tentar ganhar o apoio em todo o Brasil. A meta é proibir a importação de leite desidratado, principalmente da Argentina, pois eles têm custo de produção menor do que no Brasil e quando o governo permite a compra de leite de lá, prejudicada o produtor brasileiro.
Além da proibição da importação, os produtores pedem também o aumento na idade mínima para a criança conseguir o leite do Governo do Estado de 3 para 4 anos e também a renda per capita de cada família que era de meio salário mínimo terá o aumento para 0,75%.
No projeto aprovado pelos deputados consta que: “o Paraná é um dos principais produtores de leite do Brasil, com milhares de famílias dependendo dessa atividade econômica. A utilização de produtos lácteos importados reconstituídos cria uma concorrência desleal com os produtores locais, que investem em qualidade, rastreabilidade e cumprimento rigoroso das normas sanitárias brasileiras”.
O projeto define que “fica proibido, no Estado do Paraná, quando de origem importada e quando o produto resultante for destinado ao consumo alimentar, a reconstituição por indústrias, laticínios e qualquer pessoa jurídica, dos seguintes produtos: leite em pó; composto lácteo em pó; soro de leite em pó; e outros produtos lácteos”.
A proposta mantém a possibilidade de comercialização de produtos diretamente ao consumidor final para uso doméstico, comercializados em embalagens próprias para o varejo e com rotulagem conforme as normas da Anvisa. Essa exceção garante a liberdade de escolha do consumidor, que poderá adquirir produtos importados com plena ciência de sua origem, sem prejuízo à transparência e à informação.
O deputado estadual e presidente da ALEP, Alexandre Curi, destacou que a construção do texto foi liderada pelos próprios produtores e apresentada pelo deputado Luis Corti (PSB), contando com o apoio de diversos parlamentares. Curi enfatizou que a unidade entre governo, base e oposição foi decisiva.
Propostas semelhantes estão sendo encaminhadas e tramitando nas assembleias legislativas de outros estados e também na Câmara Federal e no Senado.