DÉFICIT

A Prefeitura de Goioerê assumiu oficialmente, nesta quinta-feira (28), a gestão da Santa Casa de Misericórdia Maria Antonieta, em um dos momentos mais críticos da história da instituição. O hospital, que há décadas é referência no atendimento de urgência e emergência para o município e cidades vizinhas, enfrenta dívidas com fornecedores, risco de fechamento da UTI e um déficit mensal estimado em R$ 600 mil.
A situação é tão delicada que médicos ameaçavam suspender os atendimentos nos próximos dias, em razão da falta de pagamentos e da dificuldade de manter condições mínimas de trabalho. Em março deste ano, os problemas já haviam culminado em uma greve de funcionários, que denunciaram atrasos salariais e a precariedade da estrutura.
Para evitar o colapso, o prefeito Pedro Coelho anunciou em coletiva de imprensa que a prefeitura assumirá o controle administrativo da Santa Casa por meio de uma comissão de intervenção, presidida pelo vice-prefeito Brito da Saúde. Segundo ele, a gestão municipal fará um aporte emergencial de R$ 2,5 milhões para garantir a continuidade dos serviços.
“O desafio é grande, mas vamos trabalhar para organizar a Santa Casa e devolvê-la para a sociedade. Não podemos permitir que a população fique sem esse atendimento essencial”, destacou o prefeito.
Entre as medidas já encaminhadas estão a redução de custos operacionais, a garantia de emendas parlamentares para reforçar o caixa, promoções junto à comunidade e até mesmo a redução de salários de alguns profissionais que prestam serviços ao hospital. De acordo com Coelho, as conversas com esses trabalhadores já começaram e houve sinalização positiva sobre a possibilidade de colaboração para a recuperação da entidade.
Ainda sem um levantamento oficial, a prefeitura estima que o déficit anual da Santa Casa chegue a aproximadamente R$ 7 milhões, o que evidencia a gravidade da crise e o tamanho do desafio a ser enfrentado.
A intervenção ocorre poucos dias após a Justiça negar a homologação de um acordo firmado entre a Santa Casa e a Prefeitura, referente ao repasse de R$ 1,2 milhão em recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
O impasse começou em fevereiro deste ano, quando a direção da entidade não assinou a renovação do contrato com a prefeitura. Sem a formalização, o município ficou impossibilitado de efetuar os repasses, que vinham sendo feitos regularmente até janeiro.
Na decisão, a juíza Lívia Simonin Scantamburlo destacou que a Constituição Federal determina que os pagamentos devidos pela Fazenda Pública devem seguir a ordem cronológica dos precatórios, sem favorecimento a qualquer instituição. Por esse motivo, entendeu que a homologação configuraria privilégio à Santa Casa e indeferiu o pedido.
Com isso, o hospital terá de aguardar a ordem regular de pagamentos, como todos os demais credores do município.
O risco de fechamento da Santa Casa gera forte apreensão na comunidade. O hospital é considerado vital para Goioerê e região, atendendo milhares de pacientes pelo SUS e prestando serviços que seriam impossíveis de suprir apenas com a rede pública municipal. O eventual fechamento da UTI deixaria dezenas de cidades vizinhas sem suporte em casos graves, obrigando pacientes a percorrer longas distâncias até outras referências hospitalares.
A expectativa agora é que a intervenção traga estabilidade e reorganize a gestão. A comissão terá a missão de reequilibrar as contas, recuperar a credibilidade e garantir que a Santa Casa volte a desempenhar seu papel histórico de salvar vidas e atender a população com dignidade.