Dr. Eliseu Auth

30/03/2021

Precisamos aprender com o índio

29/03/2021 22H06

Eliseu Auth

Volto às lições da “Carta do cacique Seathl, da tribo Duwamish” ao presidente dos Estados Unidos que pretendia comprar suas terras no Estado de Washington, em 1855. Foi um tapa na cara. Só aprendemos com o índio quando se trata da natureza, dos seus bichos, das águas correntes e das suas matas que garantem chuvas, clima equilibrado e saudável a todos, inclusive para nós brancos. Ainda combatem o aquecimento global. Deveríamos nos envergonhar do ódio que temos às matas. E pedir perdão a Tupã.

Sim, nos envergonhar e pedir perdão a cada árvore que derrubamos em nome da ganância, desprezando a sobrevida de todos no planeta que habitamos. Volto à fala do índio ao “chefe” do norte: “Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão que nós, os índios, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual porque tudo o que acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra”.

“Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota, passam o tempo em ócio e envenenam o corpo com alimentos doces e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias – eles não são muitos. Mais algumas horas, até mesmo uns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que tem vagueado em pequenos bandos nos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança – como o nosso” (…).

Há valores maiores eternos que precisamos aprender com o índio.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).