Umuarama

SUSPEITAS DE DESVIOS NA SAÚDE

Pozzobom defende investigação de denúncias e diz que “politicagem” pode prejudicar a cidade

12/06/2021 11H31

Prefeito Celso Pozzobom

Umuarama – O motivo do encontro entre o prefeito Celso Pozzobom e a imprensa de Umuarama, ontem à tarde, era a visita na nova estação rodoviária, mas ao final ele não teve como escapar dos questionamentos sobre a Operação Metástase que apura suspeitas de desvios de verbas da saúde pública na cidade. Pozzobom disse que não teme nada, por isso colocou a Prefeitura à disposição do Ministério Público, Gaeco e da Câmara de Vereadores que também iniciou processo de investigação.

O prefeito afirmou que não tinha conhecimento dos supostos desvios que são citados pela investigação e não se manifestou antes publicamente porque somente na segunda-feira passada a sua defesa teve acesso a todos os detalhes do processo. E também não existe denúncia contra a sua pessoa. Apesar da pressão psicológica e do massacre que sofre por parte de alguns adversários políticos, principalmente nas redes sociais, o prefeito garantiu que jamais pensou em renunciar e que o tempo vai mostrar para a população de Umuarama que ele não tem envolvimento em desvios de verbas da saúde.

Ele citou ainda que o valor anunciado pelos investigadores como tendo sido desviado, de R$ 19 milhões, é o montante total repassado à saúde, mas tem uma série de compromissos que foram e estão sendo cumpridos com esse dinheiro e todos os documentos estão sendo confrontados agora para saber se houve desvios e o que foi desviado.

Questionado se tinha conhecimento de desvios, Pozzobom diz que o dinheiro chega na Prefeitura e vai direto para entidades como a Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná (Norospar), que tem um dos diretores presos, Instituto Nossa Senhora Aparecida que mantém o hospital de mesmo nome e Associação São Francisco de Assis, do Cemil. Muitas vezes são recursos de emendas parlamentares para equipamentos que só passam pela Prefeitura e quem aplica o dinheiro é a entidade. “Daí não tem como prefeito fiscalizar a aplicação desse dinheiro pela entidade” diz.

O prefeito lembrou ainda que não foi preso, não foi afastado pela justiça e não encontraram nada de ilegal com ele, por isso continua prefeito e quer dar sequência no grande volume de obras que a cidade vem ganhando nos últimos anos.

PROVEITO POLÍTICO

Pozzobom reclamou da condenação antecipada que ele e todos os suspeitos citados pelo Ministério Público vêm sofrendo. “É preciso ter cautela e se ater aos fatos concretos”, disse. Segundo ele, a Promotoria e o Gaeco estão investigando a fundo, buscando documentos para, se for o caso, oferecer denúncia à justiça que vai avaliar se cabe condenação para cada um dos suspeitos. Antes disso, é prematuro crucificar esse ou aquele. “E quem for culpado tem que pagar pelo erro”.

Para o prefeito, a oposição está inflando o assunto, fazendo acusações sem provas, tentando desestabilizar a administração municipal, o que é ruim para a cidade. “Isso acaba espantando investidores e difundindo o pessimismo”.

CASOS DE COVID SÃO COM O ESTADO

Sobre as falas em redes sociais de que o dinheiro desviado poderia evitar o colapso no atendimento aos pacientes de covid-19 em Umuarama, o prefeito esclareceu que a abertura de mais leitos de UTI ou enfermarias para os pacientes da covid cabe somente ao estado. A Prefeitura não pode investir nada na Uopeccan por exemplo, que é referência no tratamento da doença e recebe a verba direto do Governo do Estado.

A prefeitura investe nas UBS, no Pronto Atendimento e no ambulatório de síndromes gripais para diagnosticar os casos, depois o tratamento tem de ser com o Estado no Cemil, na Uopeccan ou em outros hospitais referências na macrorregião. E lembrou que hoje o problema é estadual, todas as regiões estão com problemas de superlotação tão graves quanto Umuarama.

A Secretaria Estadual da Saúde já anunciou que tem recursos disponíveis, mas hoje faltam profissionais para a formação de novas equipes para atender em alas de covid. E quem está atuando está no limite.

“Por isso, o momento é delicado e a gente precisa ter serenidade para não levar adiante informações falsas, condenações sem provas, acusações levianas, pois isso pode ter consequências mais na frente”, concluiu.

O prefeito adiantou que na próxima semana será esclarecido o caso das vacinas de pessoas usando documentos de mortos.