DESAPARECIMENTO

As buscas pelos quatro homens desaparecidos em Icaraíma, a 60 km de Umuarama, seguem sem novidades concretas até o momento. Desde quarta-feira (6), equipes das polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros atuam por terra, água e ar, com apoio de helicóptero equipado com infravermelho e barco com sonar, na tentativa de localizar Rafael Juliano Marascalche (43), Diego Henrique Afonso (39), Robishley Hirnani de Oliveira (53) e Alencar Gonçalves de Souza. O veículo utilizado pelo grupo, uma caminhonete Fiat Toro branca, também não foi encontrado.
O delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Gabriel Menezes, afirmou que até agora não houve avanços significativos. “As investigações seguem em andamento, inclusive com emprego de equipes aqui da Polícia Civil de Umuarama. Assim que tivermos novidades sobre o caso, vamos divulgar”, declarou.
Boatos e informações desencontradas
Entre os rumores que circulam, há relatos de disparos de arma de fogo em diferentes pontos da região. Menezes, porém, reforça a cautela: “Já chegaram muitas informações conflitantes sobre supostos tiros, em locais distintos, o que demonstra a necessidade de cuidado. Há muitos boatos circulando.”
O delegado também comentou sobre as tentativas de localizar os suspeitos foragidos.
“Nós temos recebido várias informações sobre o paradeiro dos suspeitos, mas até o momento nenhuma desses locais se confirmou após a verificação. As informações que chegam apontam para diferentes cidades, tanto no Paraná como em São Paulo. Até mesmo aqui em Umuarama houve notícia da presença deles, inclusive houve abordagem das pessoas indicadas, mas nada confirmado. Os suspeitos foragidos possuem fisionomias comuns, o que pode estar causando reconhecimentos equivocados. Mas estamos buscando por todos os pontos de localização que chegam até nós”, destacou.
Também foi esclarecida a questão de uma localização enviada por um dos desaparecidos para um amigo em São Paulo. Segundo a polícia, a mensagem não tinha relação com Icaraíma ou com o desaparecimento, mas com uma negociação de veículo na capital paulista.
“O envio dessa localização foi fruto de uma conversa por outros assuntos com esse amigo. Ele estava tratando a respeito da compra e venda de um veículo lá em São Paulo. Não teve nada a ver com a questão de Icaraíma. Ele mandou a localização apenas para mostrar para o amigo que não poderia ver o veículo naquele momento, pois estava no Paraná”, esclareceu o delegado.
Apoio de grupos especiais
Conforme Meneses, desde o dia do desaparecimento, o TIGRE (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial) está atuando nas investigações e deve permanecer até a conclusão do caso.
Na tarde do dia 11, representantes da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros concederam coletiva de imprensa para atualizar a situação. O capitão Cezar Perdoncini, do Corpo de Bombeiros, destacou que todas as diligências solicitadas pela Polícia Civil foram cumpridas e que as equipes agora permanecem de prontidão em Umuarama. “Em até 60 minutos conseguimos nos deslocar a qualquer ponto da área”, afirmou.

Prisões decretadas e apreensões
Até agora, foram apreendidos um veículo pertencente à família dos suspeitos e uma arma calibre 12, que passaram por perícia. O resultado é aguardado pela investigação. A Justiça decretou a prisão temporária de Antonio Buscariollo (66) e Paulo Ricardo Costa Buscariollo (22), pai e filho, que estão foragidos. Ambos chegaram a prestar depoimento negando envolvimento no desaparecimento e na dívida em questão.
A Polícia Civil também busca ouvir outros dois filhos de Antonio Buscariollo, suspeitos de envolvimento no negócio que originou o conflito.
A dívida que motivou o encontro
Segundo a investigação, o caso está ligado à venda de uma propriedade rural em Icaraíma. Alencar de Souza vendeu a área a familiares de Buscariollo por R$ 250 mil, formalizada em cartório em agosto de 2024. Contudo, nenhuma das dez notas promissórias de R$ 25 mil foi quitada.
Sem receber o valor, Alencar teria contratado os três cobradores de São José do Rio Preto (SP), conhecidos por atuar em dívidas consideradas “perdidas”, ainda que, segundo familiares, sem uso de violência.
O grupo chegou a Icaraíma em 4 de agosto, e um encontro foi marcado para o dia seguinte. A última imagem dos quatro desaparecidos foi registrada por câmeras de uma padaria da cidade, às 10h. Pouco depois do meio-dia, perderam contato com familiares.