Umuarama

Visão

Planejamento e união são as palavras para idealizar a Umuarama do futuro

26/06/2021 08H25

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Com projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 112.500 umuaramenses em 2021, Umuarama cravou o status de cidade de médio porte. Hoje a Capital da Amizade comemora 66 anos com a chegada de grandes redes, shopping e indústria. Neste cenário promissor, o professor e coordenador dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade Alfa de Umuarama, Celso Ferrari Júnior, fez um balanço dos itens para a cidade seguir uma projeção de desenvolvimento.

Celso é administrador e mestrando da Unioeste de Toledo, dentro do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócio. Na sua linha de pesquisa, o professor administrador está observando e detalhando as potencialidades e características socieconômicas de Umuarama. Com a pesquisa em andamento, Ferrari elencou alguns pontos a serem observados pela comunidade local, visando o desenvolvimento do município em um futuro econômico promissor.

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Entrevista:

Umuarama Ilustrado – Chegamos aos 66 anos de Umuarama e qual o caminho seguir visando uma cidade do futuro?

Celso Ferrari – “A palavra-chave é planejamento. Na ata de fundação de Umuarama está escrito que no dia ‘26 junho de 1955 – no km 522 da ferrovia Ourinhos/Guaíra’ foi fundada a cidade. Então era para ter essa ferrovia aqui e se tivesse teríamos outra situação econômica. Desta forma, temos que observar o passado e aprender a lição, que é ter planejamento”.

“Em 2010 o Censo mostrava Umuarama com 100 mil habitantes e hoje a estimativa está em 112.500 umuaramenses. Tivemos um crescimento de 12% e por qual motivo essas pessoas vieram para Umuarama? Desta forma, de primeiro plano, vamos focar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e considerar os fatores da renda, saúde e educação. Precisamos trabalhar esses três fatores”, disse.

Umuarama Ilustrado – Dentro dos fatores elencados, como trabalhar o desenvolvimento da cidade?

Celso Ferrari – “O planejamento precisa partir das empresas públicas, iniciativa privada e com apoio da pesquisa científica. O setor público tem que analisar quais setores que mais geram emprego, os setores produtivos com potencialidade de desenvolvimento econômico e com base nisso fomentar investimentos. A iniciativa privada sabe fazer isso, para identificar como, onde e quando investir, por isso, começamos a observar a vinda de grandes redes para Umuarama”.

“Umuarama é uma região metropolitana e precisa seguir um planejamento socieconômico. A cidade foi fundada e planejada pela Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná, a qual vislumbrou fundar quatro cidades a 100 km de distância de cada uma. Essas cidades nasceram para ser polos regionais, sendo elas: Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama. Desta forma, fomos pensados para nos desenvolver e acredito que chegou a hora de fazer isso acontecer. Como? Por meio de um planejamento levando em considerações nossas características econômicas”, explicou.

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Umuarama Ilustrado – Quais seriam essas características?

Celso Ferrari – “Ainda estou seguindo na minha pesquisa, mas o que podemos observar com os números do Caged é que 54% da população está empregada na área de serviços, 20% indústria e 4% agropecuária. Então temos comércio, educação, saúde, construção civil e as indústrias. Essas são nossas possíveis potencialidades. O que precisamos fazer? Buscar soluções em crédito, qualificação de mão de obra e projeção de longo prazo”.

“Umuarama é um centro de prestação de serviços, como na área da saúde, educação, construção civil entre outros. Ainda temos a agricultura e indústria. Neste sentido, é preciso fazer um diagnóstico preciso para identificar as necessidades. Volto a frisar ‘precisamos de planejamento da demanda’’.

Umuarama Ilustrado – Qualificação e conhecimento são fundamentais para o desenvolvimento?

Celso Ferrari – “Um dos tripés do desenvolvimento econômico é a educação. Em pesquisa observamos que as crianças de 6 a 14 anos moradoras de Umuarama 97% estão matriculadas nas escolas. Mas isso até 14 anos, quando puxamos dos 15 anos em diante essa porcentagem vai dissolvendo. Recentemente fiz duas palestras no Tiro de Guerra e dos 150 jovens ao todo 130 estão trabalhando, o que representa boa empregabilidade. Porém, só 14 estão trabalhando e fazendo um curso técnico ou superior. Esse dado é muito importante, pois precisamos melhorar a renda do trabalhador e isso vem por meio da educação”.

“Hoje a média de renda do trabalhador umuaramense é de a é 2.1 salários-mínimos, cerca de R$ R$ 2.200. Em Douradina a média salarial é de R$ 2.900 reais, cidade onde indústrias valorizam ensino superior. Pessoas com maior qualificação melhoram a renda e crescem dentro da organização. Isso ajuda o comércio de Umuarama, pois esse trabalhador vai consumir mais e também na arrecadação da Prefeitura, formando uma corrente”, esclareceu.

Umuarama Ilustrado – Existem regiões para buscar exemplos?

Celso Ferrari – “Buscar exemplos é fundamental e temos próximo daqui, como vem ocorrendo em Maringá e Toledo. Entender o que Toledo fez é fundamental. A cidade tem uma forte pesquisa acadêmica e investimentos em câmaras temáticas de desenvolvimento de vocação da cidade. Lá os empresários compraram essa ideia. Mas Toledo tem a Sadia, porém a cidade não se concentrou nessa essa atividade, hoje o município conta com investimento em tecnologia, indústria farmacêutica, bebidas e valorizou sua essência que são as atividades agropecuárias. Maringá também entendeu que é importante a indústria, mas também, o mercado tecnológico”, finalizou.