Cotidiano

VIOLÊNCIA INFANTIL

Padrasto é preso em flagrante suspeito de estuprar menino que morreu em Cianorte

25/03/2021 18H32

A Polícia Civil prendeu em flagrante um homem de 30 anos suspeito de estupro de vulnerável com resultado morte em Cianorte.

O crime ocorreu nesta quinta-feira (25) e foi descoberto após o próprio suspeito levar o enteado, um menino de apenas três anos de idade, até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A criança estava com uma parada cardiorrespiratória e acabou indo a óbito. Durante o socorro os médicos constataram que a criança apresentava diversas lesões pelo corpo.

Ferimentos

Segundo o delegado-chefe da 21ª SDP de Cianorte, Jonas Eduardo Peixoto do Amaral, o prontuário médico constatou que o menino apresentava lesões na cabeça, no tórax, no abdômen e na região anal.

Suposto abuso

“São lesões que sugerem um possível abuso sexual, o que só poderá ser comprovado no laudo de necropsia”, explicou o delegado. A previsão é que o documento seja disponibilizado até o início da próxima semana pelo Instituto Médico Legal (IML) de Campo Mourão, para onde o corpo da criança foi encaminhado.

Alega inocência

Segundo o delegado, o suspeito nega todas as acusações, mas em depoimento teria entrado em contradições em vários momentos. Em um dos pontos ele afirmou que a criança já estaria passando mal há ao menos dois dias, fato negado pela mãe, pela avó e por um tio da criança, que também já foram ouvidos pela polícia.

De acordo com o delegado-chefe Jonas Eduardo do Amaral, a mãe do menino, uma mulher de 28 anos, contou que saiu de casa às 5 horas para trabalhar e que a criança estaria bem e dormindo ao lado de sua cama. O suspeito, que está desempregado, teria então ficado sozinho com o menino.

Relacionamento

Os outros parentes ouvidos pela polícia contaram ainda que o relacionamento da criança com o padrasto seria bom, mas que o menino apresentava certo medo do homem. “Disseram que era porque ele dizia que iria castigar a criança”, disse o delegado. O tipo de castigo será investigado.

Na casa

Na casa da família os policiais encontraram peças de roupas da criança sujas de fezes, além de uma grande quantidade de papel higiênico com manchas de sangue espalhada pelos cômodos. Ainda segundo o delegado-chefe, o quarto estava bagunçado. Foram colhidas amostras e encaminhadas para análise laboratoriais.

Histórico médico

Ainda segundo o delegado-chefe a criança tem um histórico de atendimento médico junto a UPA que começou em 2018, sempre envolvendo quedas e traumas, sendo que o mais recente foi no último dia 11, quando foi socorrida com um ferimento na orelha.

Ainda segundo Amaral, em dezembro de 2020 o menino foi atendido após sofrer um traumatismo craniano encefálico de uma suposta queda. Nos anos de 2019 e 2018 há ainda dois registros, um por trauma no ombro e outro trauma por queda da cama, respectivamente.

Investigação

O delegado esclareceu que em casos como este é natural uma análise mais cuidadosa do histórico médico, bem como a apuração de eventual conivência ou omissão por parte da mãe. O casal estaria junto a cerca de um ano. O pai da criança é falecido.

Suspeito

De acordo com o delegado-chefe Jonas Eduardo Amaral, agora é a Justiça que vai definir se o suspeito será mantido preso ou se responderá a acusação em liberdade. Se o suspeito permanecer preso a polícia terá 10 dias para a conclusão das investigações. Já se a prisão for relaxada o prazo aumenta para 30 dias. O suspeito tem passagem anterior junto a polícia pelos crimes de roubo e porte ilegal de armas.

Polícia especializada

Ainda segundo Jonas Eduardo Amaral, a partir de agora as investigações passam a ser conduzidas pela Delegacia da Mulher e pelo Núcleo de Proteção a Criança e ao Adolescente (Nucria), que funcionam conjuntamente e atendem casos de abusos e violências contra crianças.

Dados da violência.

O crime ocorreu no mesmo dia em que o Comitê Protetivo (resultado de uma parceira entre a Secretaria de Estado de Segurança Pública e o Tribunal de Justiça do Paraná) divulgou relatórios que apontam o aumento da violência contra crianças e adolescentes desde o início da pandemia da covid19. Somente de janeiro até o dia 23 de março foram registradas 2.773 ocorrências de violências contra esse público.