Cotidiano

TERRA ROXA

Clínica na região de Umuarama é suspeita de cárcere privado e tortura contra mulheres

15/09/2026 18H05

Jornal Ilustrado - Clínica na região de Umuarama é suspeita de cárcere privado e tortura contra mulheres

O Ministério Público do Paraná deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Aurora para apurar suspeitas de tortura, sequestro e cárcere privado contra dezenas de mulheres internadas em uma clínica terapêutica da região de Terra Roxa. A ação contou com apoio do Gaeco de Umuarama e do Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex).

Por determinação do Juízo das Garantias da Vara Criminal de Terra Roxa, foi cumprido um mandado de prisão temporária, pelo prazo de 30 dias, contra o gestor e proprietário do estabelecimento. Também foram realizadas buscas em cinco endereços, incluindo a sede da clínica, imóveis ligados aos investigados, uma propriedade rural e veículos.

Durante as diligências, um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições.

Segundo o MPPR, a clínica mantinha aproximadamente 72 mulheres internadas, entre elas pessoas com deficiência. As investigações apontam que parte das internas estaria no local contra a própria vontade e impedida de deixar o estabelecimento.

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Castigos e medicamentos

Ainda conforme o Ministério Público, há indícios de que as internas eram submetidas a um regime disciplinar considerado punitivo, com supostos castigos, restrição de visitas familiares e trabalho compulsório.

As investigações também identificaram, preliminarmente, relatos sobre o uso forçado de medicamentos sedativos, chamados de “Danone” dentro da clínica. Segundo o MPPR, os medicamentos seriam utilizados para provocar a inconsciência das mulheres.

Outro ponto investigado é uma possível omissão de atendimento médico. Há ainda relatos de que as internas eram orientadas a permanecer em silêncio, sob ameaças, durante inspeções realizadas por órgãos de fiscalização.

Os dispositivos eletrônicos apreendidos tiveram o sigilo afastado e poderão passar por extração de dados, conforme autorização judicial. O material recolhido será analisado pelo Ministério Público para aprofundar as investigações e verificar a eventual responsabilidade penal de todos os envolvidos.

As suspeitas ainda estão sob investigação e, até o momento, não representam condenação dos investigados.