OPERAÇÃO

Uma força-tarefa coordenada pelo Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou na manhã desta terça-feira (19) a Operação Rové, tendo como principal foco o desmantelamento de uma quadrilha investigada por atuação em roubos nas rodovias estaduais, na modalidade conhecida como “pirataria do asfalto”.
A organização criminosa também é investigada por tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
A operação resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão domiciliar, executados em diferentes regiões de Umuarama. Parte dos alvos da operação são moradores do Conjunto Sonho Meu, bairro que concentrou parte das diligências realizadas pelas equipes policiais nas primeiras horas da manhã.

A ação contou com apoio operacional e analítico do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual do Paraná, com mobilização de efetivos de diversas regiões do Estado.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos investigados, o sequestro de um veículo e a indisponibilidade de um imóvel supostamente adquirido com recursos ilícitos.
Grupo é suspeito de atacar transportadores em rodovias
Durante coletiva de imprensa realizada na sede do Ministério Público de Umuarama, o delegado do Gaeco, Matheus Prado, confirmou que a investigação aponta que o grupo atuava em roubos nas estradas, tendo como principais alvos transportadores de mercadorias ilícitas ou com irregularidades fiscais vindas da região de fronteira.
“Em tese, esses piratas do asfalto visam justamente roubar contrabandistas e pessoas que trazem mercadorias ilícitas para o interior do Estado”, explicou.
Segundo as investigações, há indícios de que a atuação criminosa ultrapassava os limites de Umuarama e alcançava outras regiões do Paraná.

Investigação começou após prisão com fuzil
Segundo o Gaeco, as investigações tiveram início em setembro de 2025, após a prisão em flagrante de um homem em Umuarama portando um fuzil de uso restrito e cerca de três quilos de crack, avaliados em aproximadamente R$ 120 mil.
A análise dos dados extraídos do celular apreendido permitiu identificar a estrutura da organização criminosa, seus integrantes e a dinâmica das atividades ilícitas.
De acordo com o delegado do Gaeco, o material revelou a existência de um grupo estruturado e com atuação consolidada há considerável período.

Alto poder financeiro
As autoridades também identificaram intensa movimentação financeira nas contas bancárias dos investigados.
Conforme o Gaeco, os recursos obtidos com os crimes eram utilizados na aquisição de bens móveis e imóveis, o que fundamentou as medidas patrimoniais determinadas pela Justiça.
Integração das forças de segurança
O subcomandante do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual, major Eduardo Andriola, destacou a atuação integrada entre as forças de segurança e afirmou que o combate a quadrilhas especializadas em crimes rodoviários tem sido intensificado.
Segundo ele, uma operação semelhante foi realizada em Maringá no dia anterior, e novas ações devem ocorrer.

Já o promotor de Justiça Guilherme Franchi da Silva Santos enfatizou que a operação está alinhada à missão do núcleo regional do Gaeco de Umuarama, criado justamente para combater crimes transfronteiriços e organizações criminosas que se aproveitam da posição estratégica da região.
Conforme o promotor, a atuação conjunta com a Polícia Rodoviária reforça o enfrentamento às rotas do tráfico e aos crimes praticados nas rodovias estaduais.
As investigações seguem em andamento e, conforme as autoridades, a nova fase da apuração buscará identificar outros envolvidos e aprofundar a responsabilização penal dos integrantes já identificados.
