Karina M. Fernandes

23/10/2021

Onde a vida começa

23/10/2021 14H47

Jornal Ilustrado

Gostaria de lhe convidar para refletir sobre algumas questões. Você tem ou já teve uma família? Como ela é ou como você gostaria que ela fosse? A família é considerada como o ambiente privilegiado para a elaboração e aprendizagem de dimensões comportamentais fundamentais para o desenvolvimento do ser humano.

Sendo o primeiro ambiente socializador ao qual estamos expostos, este núcleo possui funções que prezam pela proteção, educação, cidadania e formação de identidades que passarão a integrar nossa sociedade. Porém, ao compreendermos a multiplicidade e a diversidade de organizações familiares, nos permitimos olhar para estas relações sob um novo ângulo, pois nem todas as realidades contemplam estas expectativas.

A família continua sendo o início de tudo, onde a vida começa. Mas no momento atual, as constituições familiares tornaram-se mais baseadas na afetividade, no respeito aos aspectos mais dignos das relações: o amor, o carinho, o cuidado, a solidariedade, superando a primazia das origens genéticas ou biológicas.

Há não muito tempo atrás, o conceito de família no Brasil incluía apenas um pai, uma mãe (unidos em matrimônio) e os filhos(as) biológicos(as).

Na atualidade, a família passa a ser entendida, de acordo com o dicionário Howaiss, como: “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”.

Esta descrição abrange infinitas possibilidades de composições, sem favorecer nenhum modelo específico, sendo mais compatível com a realidade atual. A sociedade em que vivemos é plural, com muitos modelos familiares.

Negar ou refutar esta diversidade fere a dignidade humana e repercute direta e negativamente na saúde mental das famílias e, principalmente, das crianças e adolescentes. O discurso da “família normal” reforça práticas sociais que reiteram padrões irreais, preconceitos e exclusões que geram sofrimento psíquico.

Diversas pesquisas mostram que a diversidade não coadjuva o desenvolvimento de complicações psicológicas a mais do que os que já ocorrem nos modelos tradicionais familiares. Em vista disso se faz tão necessário criarmos modelos educativos que considerem a igualdade, o respeito às diferenças e a pluralidade familiar, social e cultural, suprimindo os estereótipos tão arraigados sobre o que é família.

Karina Portella.