ALERTA

A OAB – Subseção de Umuarama e Região promoveu, na tarde desta sexta-feira (2), uma entrevista coletiva para alertar a população sobre o golpe do falso advogado, crime que vem fazendo vítimas em Umuarama e municípios da região, entre eles Douradina, Alto Piquiri e Francisco Alves, que registram casos frequentemente.
A conversa reuniu o presidente da OAB Umuarama, Lucas Priori, e o advogado Leandro Pereira, coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado, procurador nacional de Prerrogativas Previdenciárias do Conselho Federal da OAB (CFOAB) e conselheiro estadual da OAB Paraná, além de outros representantes da entidade.
Segundo Priori, embora a prática não seja nova, os criminosos vêm utilizando novas ferramentas para tornar as abordagens mais convincentes. Para ele, o primeiro caminho para enfrentar o problema é a conscientização da população, principalmente das pessoas com maior dificuldade no uso de ferramentas digitais. “Na realidade, o primeiro enfrentamento é a conscientização, para que as pessoas não caiam nesse golpe. E o segundo é o que fazer logo que isso ocorre”, afirmou.
Leandro Pereira explicou que os primeiros registros do chamado golpe do falso advogado remontam a 2021, mas a prática ganhou novas formas com a expansão dos meios digitais e o uso de ferramentas tecnológicas, inclusive recursos de inteligência artificial.
Uma das características que tornam o golpe mais difícil de identificar é o fato de os criminosos utilizarem informações verdadeiras sobre processos judiciais, partes envolvidas e valores de causas.
De acordo com o advogado, dados processuais podem ser públicos em razão do princípio da publicidade dos processos. Além disso, informações pessoais podem acabar disponíveis na internet a partir de cadastros realizados pelos próprios usuários ou até mesmo por meio de páginas falsas criadas justamente para capturar dados.
Com essas informações em mãos, os criminosos conseguem criar uma abordagem aparentemente legítima e estabelecer uma relação de confiança com a vítima.
Em geral, o contato ocorre por um número novo de telefone, com o criminoso se passando pelo advogado ou por alguém do escritório. A vítima é informada sobre uma suposta liberação de dinheiro, benefício ou valor relacionado ao processo, mas é comunicada de que, antes de receber a quantia, precisa pagar uma taxa, custa ou outra suposta pendência.

Uma das principais orientações apresentadas pela OAB é desconfiar de contatos feitos por números diferentes daqueles utilizados habitualmente pelo advogado ou escritório.
A recomendação é que os profissionais orientem previamente seus clientes sobre qual é o canal oficial de comunicação. Dessa maneira, diante de uma mensagem suspeita, o cliente pode encerrar o contato e procurar diretamente o advogado pelo número já conhecido.
Outro sinal de alerta é a exigência de pagamentos por Pix, depósitos ou transferências para contas que não correspondam aos canais oficiais ou a destinatários legítimos relacionados ao processo.
A OAB orienta que qualquer solicitação de pagamento inesperada seja verificada antes de qualquer transferência.
Durante a coletiva, Pereira apresentou dados recebidos pela OAB relacionados às denúncias de golpes envolvendo falsos advogados.
Segundo ele, em 2025 foram registradas 2.103 denúncias informadas à OAB sobre esse tipo de crime. Em 2026, o número já ultrapassou 3.600 denúncias.
Apesar do crescimento das tentativas, o representante da OAB destacou um dado considerado positivo pela entidade: a proporção de pessoas que efetivamente sofrem prejuízo financeiro diminuiu.
Segundo a estimativa apresentada na coletiva, atualmente oito em cada dez pessoas abordadas não chegam a cair no golpe, resultado que, de acordo com Pereira, também está relacionado à divulgação de informações e à maior conscientização da sociedade.
Mesmo assim, a OAB alerta que a redução dos prejuízos não pode significar redução das denúncias.
Um dos principais pedidos feitos pela entidade durante a entrevista foi para que as pessoas denunciem mesmo quando o golpe não é concluído e nenhum dinheiro é perdido.
Para a OAB, o registro das tentativas é fundamental para identificar padrões de atuação, reunir informações e permitir que as autoridades tenham uma dimensão mais precisa do problema.
A orientação vale tanto para o cidadão que recebeu a abordagem quanto para o advogado cuja identidade, fotografia ou informações profissionais tenham sido utilizadas pelos criminosos.
“É muito importante que a denúncia continue”, reforçou Pereira durante a entrevista.
A OAB Paraná mantém um canal específico para receber informações relacionadas ao golpe do falso advogado. Os registros também podem subsidiar ações junto às forças de segurança e demais instituições envolvidas no enfrentamento do crime.
Caso a pessoa perceba que foi vítima de uma fraude, a orientação é agir rapidamente.
Entre as medidas indicadas pela OAB estão:
Pereira também orientou que a vítima procure o banco para solicitar o chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável a transferências realizadas via Pix. O procedimento pode permitir uma tentativa de bloqueio e recuperação dos valores transferidos, embora não represente garantia de devolução do dinheiro.
A entidade também destaca que o golpe não prejudica apenas quem perde dinheiro. Os próprios advogados estão tendo suas identidades utilizadas pelos criminosos, com fotografias, nomes e informações profissionais empregados para dar credibilidade à fraude.
Para enfrentar esse problema, a OAB informou que desenvolve ações de orientação e prevenção, além de atuar junto às instituições de segurança pública e ao sistema de Justiça. Segundo Pereira, a entidade elaborou duas cartilhas, uma voltada à sociedade e outra direcionada à advocacia. Também há ações de capacitação por meio da Escola Superior de Advocacia da OAB Paraná.
A intenção é preparar os profissionais para orientar seus clientes sobre os canais oficiais de contato e, ao mesmo tempo, adotar medidas para proteger os próprios escritórios contra o uso indevido de suas identidades.
A OAB também mantém atuação junto às forças de segurança e instituições do sistema de Justiça para auxiliar na investigação dos casos e discutir medidas relacionadas à segurança de dados e informações processuais.
Para Lucas Priori, a mobilização é necessária porque o golpe ultrapassa os prejuízos individuais e afeta a confiança da sociedade na própria advocacia.
A entidade reforçou que desconfiar de cobranças inesperadas, confirmar a identidade do suposto advogado por um canal oficial e denunciar qualquer tentativa de fraude são medidas fundamentais para interromper a atuação dos criminosos e evitar novos prejuízos.
