Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

O determinismo da natureza

Dr. Eliseu Auth 30/06/2026 00H02

Jornal Ilustrado - O determinismo da natureza

Se pudéssemos evitar a tragédia causada pelos terremotos na Venezuela, claro que evitaríamos. Imagine o ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado”, o tamanho do sofrimento das pessoas soterradas, feridas e privadas de suas casas e moradias, por conta dos abalos sísmicos que ninguém poderia impedir. Num determinismo cruel, as placas tectônicas se moveram no interior da terra, sem aviso e nem obstáculo, seguindo os ditames da natureza. Vieram os terremotos, dor, lágrimas e sofrimento aos nossos vizinhos, agora há que ser solidário com eles, reconstruir o destruído e confortá-los na vida que precisa seguir, apesar dos escombros.

Têm razão os cientistas. Há forças da natureza sobre as quais não temos controle algum. Ela vai seguindo o determinismo que está dentro dela. No seu caminhar, em contínua transformação e acomodação, faz irromper vulcões, cuspindo lavas incandescentes, rochas derretidas e cinzas vulcânicas. Ali, provoca tsunames e inundações que não dependem de nossos pensamentos, escolhas ou decisões. É a mãe natureza, determinada e imparável. Há quem diz que somos meros títeres da natureza, robôs programados, mas há espaço para discordar porque isso vale só na matéria física. Vou ao parágrafo.

Nascemos com capacidade de pensar. Isso nos faz adaptáveis ao mundo físico que nos acolhe. Esse mundo é o planeta Terra, por enquanto, o único lugar que temos para morar e existir. Então, há que cuidar dele. Stephen Hawking, no seu livro “Breves respostas para grandes questões’, alerta para nossa desídia. Diz ele: “A Terra está ficando pequena demais para nós. Nossos recursos físicos estão sendo drenados a um ritmo alarmante. A espécie humana presenteou o planeta com desastres, tais como mudança climática, poluição, elevação das temperaturas, redução das calotas polares, desmatamento e dizimação de espécies”. (in op. cit. Ed. Intrínseca, I. ed. p. 230). À frente, no mesmo raciocínio, o admirável pensador sinaliza a reversibilidade desse quadro e apresenta duas opções para o futuro da humanidade: “(…) exploração do espaço para encontrar planetas alternativos onde viver e o uso da inteligência artificial para melhorar o nosso mundo.” (in verbis).

Quem sou eu, para discordar do cientista? Agora, nós, cá na terra, devemos e precisamos fazer a nossa parte. Podemos contar com a inteligência artificial sim, mas se é impossível para os dias de hoje, buscar outro planeta para morar, o único jeito que nos resta, é cuidar do nosso. Fazer o que os cientistas do clima vêm bradando em voz já rouca: Manter as florestas em pé, eliminar combustíveis fósseis, reciclar os lixos e cuidar dos oceanos. Fazendo isso, deixaremos de ser meros títeres, apesar do determinismo da natureza.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).