Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

O Brasil que o meu voto quer

Dr. Eliseu Auth 15/09/2026 00H02

Jornal Ilustrado - O Brasil que o meu voto quer

Eu sei. O programa eleitoral pode ser uma chatice, mas é o que tem. Candidatos podem dizer promessas vazias, prometer o impossível e por aí vai. Ainda assim é melhor que não poder dizer nada, como é nas tiranias. Tem os coerentes. A nós cabe separar joio e trigo, escolhendo quem está ao lado da ordem democrática e da soberania de uma pátria ideal que precisa olhar para o bem de todos os brasileiros. Ela, sob o império da lei, há que garantir dignidade, paz e bem para todos como premissa maior. Ali, o voto é valioso instrumento para fechar o raciocínio que plasma o Estado que queremos ideal.

Como o ilustrado leitor do “Umuarama Ilustrado” pode ver, são os nossos princípios de vida que vão dar tintas ao nosso voto. Meu professor de alemão chamava esses princípios de “Weltanschaung”, palavra de larga extensão que diz tudo. Não basta olhar. É preciso ver, apreciar e entender. Vendo, saber-se-á o caminho, a verdade e a vida, como se reza na Igreja. Não. Não quero misturar religião com política. O Estado é laico, tolera todas as religiões, desde que respeitem a Constituição e se submetam às leis do país. Na minha fé de berço estão todos os mandamentos que dão luz e cor ao Estado que quero. Nele não há excluídos por agnosticismo, ateísmo ou outra razão. Ela me diz amar a Deus, origem de todo o bem, e ao próximo como a mim mesmo. Não é intromissão na laicidade, mas síntese para um Estado justo e bom para todos.

De volta ao voto, não quero um Estado mínimo e nem máximo. Aquele esquece os fracos e este sufoca a iniciativa privada. Quero políticas sociais para os necessitados, num Estado suficiente, amoldado ao pensamento de John Maynard Keynes. As pessoas precisam morar, ter acesso a remédios e saúde, estudar e chegar a universidade. Nada fora da liberdade com limites na lei e ninguém excluído desses bens, por sexo, origem ou cor. Sim. É preciso estar atento à questão fiscal e à dívida pública, mas não coloquem isso nas costas de trabalhadores e aposentados. Os mais ricos podem e devem dar a sua contribuição, na mesma proporção dos mais pobres. Quero o fim das Emendas parlamentares, por inconstitucionais. Sinto náuseas da mídia conservadora deste país que não dá um pio sobre elas que roubam do orçamento mais de sessenta bilhões de reais. É dinheiro que se vai e se esboroa para garantir reeleições que perpetuam os mesmos no poder. A Constituição separa poderes e diz as atribuições. O Legislativo faz leis, o Judiciário julga e o Executivo administra o orçamento. Não há espaço para o jabuti das emendas que não existe em outro lugar do mundo democrático. Benvinda a eleição, premissa menor para garantir a premissa maior do Brasil que o meu voto quer.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).