Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

O Bendito Futebol

Dr. Eliseu Auth 16/06/2026 00H02

Jornal Ilustrado - O Bendito Futebol

Estamos no clima da Copa do Mundo que já começou. Aqui, sonhamos com o hexa, desejo legítimo de um povo que adotou o futebol como o esporte mais democrático do orbe terrestre. Se ele nasceu na Inglaterra, aqui fizemos dele o esporte das multidões, gerando inclusão social, trabalho e renda para meninos e meninas pobres de favelas e comunidades, sem preconceitos de cor, raça e condição social. Se somos os maiores campeões, queremos o hexa sim.

Desde a infância, o futebol faz parte da vida da gente. Entrou no sangue porque é acessível a todos. Guri, lembro bem que aos domingos, a gurizada se reunia em potreiros, marcava a goleira com pedras ou estrume seco de gado e dê-lhe chutar uma bola de borracha sintética, do tamanho de uma laranja. Era o que tinha, quando não desbravámamos matas, o rio Santo Cristo, sua cascata, sangas e riachos abundantes naquele tempo que não volta mais.

Se o homem integral, segundo especialistas, trabalha, estuda, ama e se diverte, o futebol é um ingrediente bendito e benvindo. Traz alegria para quem o pratica e para quem o assiste, seja em estádios, telas, ou nas pequenas comunidades. Ali, é escola para as torcidas que se aglomeram e misturam em torno dos gramados, onde exercitam a boa convivência e o respeito mútuo.

Sim. Divertir o povo, até tiranos e déspotas, sabiam que era útil e importante. Conheciam a tática do “pão e circo”, agradando patrícios e plebeus, nobreza e plebe, como estratégia do poder. Lá em Roma, as ruínas do Coliseu, anfiteatro do Império romano, é testemunha viva da história. Construído pelo imperador Vespasiano, lá pelo ano 72 d.C. e inaugurado por seu filho Tito, também imperador, agradava e divertia uma farândola sádica e sequiosa de sangue, às custas de gladiadores, escravos e prisioneiros que eram obrigados a lutar até a morte. O dantesco nem parou por aí. Foi aos cristãos que consideravam ameaça ao poder e os jogavam às feras esfaimadas para serem devorados, uma infâmia cruel que papai diria uma coisa por demais!

Inda bem que, mesmo que tardio no tempo, veio o Iluminismo que propôs governos democráticos, regidos por leis e não por ditadores sem escrúpulos. Civilizados, ninguém mais se diverte com o sangue da plebe. Entre concertos, música, teatro, shows, praias, viagens e o escambal, agora também lotamos estádios, não para ver sangue, mas para nos alegrar e divertir com o bendito futebol.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).