Umuarama

Agricultura

Novilho superprecoce e empreendedorismo transformam a economia de Fazenda na região

Luiz Fernando Machado Delgado 29/09/2019 07H37

o casal Hugo Zampieri e Marilene Zampieri transformaram a economia da fazenda Araguari

Conhecer a cultura e conseguir tirar dela o máximo de produtividade, prezando pela qualidade e a consciência social. Com esse pensamento, o casal Hugo Zampieri e Marilene Zampieri transformaram a economia e a forma de pensar dos personagens da Fazenda Araguari. A propriedade está situada na região do distrito de Roberto Silveira, cerca de 30 quilômetros de Umuarama, e de lá sai o novilho superprecoce abatido 13 meses.

A mudança de como o casal observava a produtividade da propriedade começou em 2003, quando iniciaram a transição do método convencional de engordar do gado de corte, até chegar ao novilho superprecoce, com uma produção de 18 arrobas por hectare em 13 meses.

“Pensando na dificuldade de comprar os bezerros, devido as questões de aptidão, optamos em fazer o nosso. Mas para isso, tinha que aumentar as vacas e a vacada come muito. Além de precisar fazer algo com a desmama e vender esse bezerro, para a gente não era a melhor opção. Então pensamos, vamos eliminar a recria e fazer um bezerro de muita qualidade, que será para gente mesmo, o que investir vai ficar aqui”, disse Marilene Zampieri.

No primeiro momento, em 2003, o casal começou com o semiconfinamento, mas com problemas de clima, eles partiram para o confinamento e mais adversidades vieram. “Batemos muito cabeça para chegar onde estamos. Na alimentação começamos com a cana-de-açúcar, silagem, sorgo até que caiu na nossa mão o grão inteiro. Fizemos muitos cursos, palestras e sempre estamos inteirados e participando de encontros, pois isso é barato, se comparado ao retorno”, esclareceu a pecuarista.

Como funciona a produção?

Na fazenda Araguari é realizada a inseminação por tempo fixo, o recincro e exposição ao touro. Aos 60 dias o bezerro começa a comer o creep feeding ao pé da vaca e o desmame é realizado com oito meses visando os machos com 310 quilos e as fêmeas 290 quilos. Depois desse período, o animal vai para o confinamento, sem estresse ou ganho compensatório, pois passaram pela adaptação alimentar, segundo os produtores.

No confinamento os machos permanecem 110 dias e as fêmeas 85 dias, quando saem para o abate, geralmente o macho pesando 500 quilos e a fêmea com 370 quilos.

Segundo Hugo Zampieri, a produção animal chegou ao limite na propriedade. “A cada 100 vacas, nós desmamamos 90 bezerros, com uma taxa de prenhez acima de 93%. Com 500 matrizes estamos abatendo 400 cabeças durante o ano inteiro”, disse.

“Pensamos em uma forma para o caixa da fazendo não ficar passando apuro, pois temos uma saída mensal. Além disso, tem a vaca de descarte que vai para o abate não faz só por estar vazia, mas por ser velha ou por não dar um bezerro bom. Desta forma, temos um critério de 20% de descarte anual”, explicou Marilene.

Rentabilidade e giro

Segundo o agrônomo, Antônio Carlos Fávaro, o estilo de administração e produção na fazenda Araguari é exemplo para a região

Segundo o agrônomo do Departamento de Economia Rural de Umuarama (Deral), Antônio Carlos Fávaro, o rebanho da família Zampieri não é maior se comparado a média das propriedades da região, porém, a taxa de desfrute e o ganho de peso fazem a diferença na hora fechar a contabilidade. “A taxa de desfrute da região é de 22%, na fazenda Araguari é de 80%. É neste ponto que está o ganho do dinheiro. Com taxa de desfrute de 22% o produtor vai abater o boi com cinco anos, mas com 80% esse abate cai para um ano e um mês”, ressaltou.

“Além disso, o casal investiu em nutrição, saindo um bezerro mais pesado, que produz mais arroba, capa de gordura e marmoreio. Nesta visão, podemos melhorar muito o que temos aqui na região em busca de rentabilidade, qualidade e sem aumentar terras”, alertou Fávaro.

Outro ponto para manter as contas em dia é o equilíbrio entre os dias de confinamento e peso para abate para não encarecer o processo, ressaltou Marilene Zampieri.

Empreendedorismo

A dinâmica de cuidados da propriedade segue uma rotina, com Hugo cuidando do setor operacional e Marilene dos números e valores, mas se engana quem pensa que a condução da empresa rural fica apenas nas mãos dos donos. “Somo uma equipe e todos participam da administração, afazeres e geração de conhecimento. Todo mês tem reunião com o pessoal, quando colocamos ideias e necessidades, como também, observamos como foi o mês que passou e planejamos o próximo. Vestimos a camisa e as ordens não chegam de cima para baixo”, noticiou Hugo.

O casal tem como ponto de partida, para o funcionamento da fazenda, a preocupação com a gestão do pessoal. Os funcionários participam de cursos e da gestão da propriedade, com bom desempenho, eles são bonificados, gerando um nível de comprometimento com os resultados.

Dica do produtor

O melhor jeito para aumentar a produção é otimizar o rebanho, investir na vaca, em nutrição, na prenhez para o animal produzir o que ela pode produzir, orientaram os entrevistados. “Tem que começar com o que tem na propriedade, olhar o animal e ver onde você está e onde quer chegar. Tô desmamando bastante, então posso melhorar o peso desse bezerro. Não chegamos a investir R$ 100 num bezerro para ter um aumento de quase duas arrobas. Tem que buscar conhecimento, estudar o negócio e se dedicar”, disse Marilene Zampieri.

Cooperativismo

Para reduzir custos, os pecuaristas produzem o próprio creep feeding

Os bovinos que saem da fazenda Araguari são entregues para a Cooperativa Agropecuária Caiuá Carnes Nobres (CooperCaiuá) e chegam nos mercados de Umuarama e Cianorte. “Temos uma escala programada com a cooperativa que faz a venda. Isso nos ajudou muito, pois antes estávamos a mercê do mercado. Era difícil uma remuneração adequada e muitas vezes recebíamos valores menores do que o gado no pasto”, disse Zampieri. “Hoje com o trabalho da cooperativa e o consumidor buscando carne de qualidade, temos um mercado promissor. Acredito que quem não produzir carne de qualidade, vai ficar fora do mercado, pois o consumidor está buscando isso”, alertou Marilene.

Futuro da Fazenda

Com produção atrelada a qualidade e a rentabilidade, o objetivo dos pecuaristas é o topo e por isso montaram um cronograma de cinco anos para chegar a produzir de 25 a 27 arrobas por hectare. “No que temos hoje estamos no máximo de produção e para ampliar isso vamos começar a atuar com a integração lavoura/pecuária. Estamos treinando a equipe, pois nosso projeto é chegar a 50 alqueireis de soja. Começamos com 10 alqueires ano passado e durante os cinco anos vamos aumentado 10 alqueires por ano. Dessa forma poderemos ter melhor alimento para mais bois”, finalizou Marilene.