Luís Irajá Nogueira

26/06/2021

NA CPI DA COVID, NARRATIVAS POLÍTICAS PROCURAM CULPADOS, ENQUANTO O INIMIGO COMUM É O VÍRUS

25/06/2021 23H07

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Adib Domingos Jatene (1.929 – 2.014), foi um médico cirurgião torácico, professor Universitário, inventor e cientista brasileiro. Filho de imigrantes árabes, formou-se em medicina na Universidade de São Paulo, onde também exerceu a docência. Conhecido e respeitado internacionalmente, além das dezenas de inovações no meio médico, como o inventor de uma cirurgia do coração, que leva seu nome, para tratamento da transposição das grandes artérias em récem-nascidos, e, do primeiro coração/pulmão artificial do Hospital das Clínicas. É dele a frase: “A função do médico é curar. Quando ele não pode curar, precisa aliviar. E quando não pode curar e nem aliviar precisa confortar. O médico precisa ser especialista em gente”.

A CPI da Covid-19 está procurando culpados a fim de torna-los réus em processo crime. Há mais interesse político em desmoralizar os governos e seus ministros – sobretudo o Governo Federal – do que a busca pelo efetivo combate ao vírus. Esquecem os “Ilustres” Senadores que o inimigo em comum é o vírus e não os ministros, secretários, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e os governos. Todo tratamento médico é bem-vindo. No entanto, se houve desvio de dinheiro público (corrupção), tal fato tem que ser apurado rigorosamente.

Não é hora de divergência. Essa pandemia é a maior catástrofe sanitária que a medicina está enfrentando nos últimos 100 anos. Nunca se viu algo parecido no Brasil e no mundo. O efeito do vírus sobre as pessoas é devastador. Ele se multiplica freneticamente sem que haja protocolo médico padrão, aqui e no mundo inteiro para combatê-lo. Todos os profissionais da saúde estão aprendendo, “no fronte da guerra biológica”, como atacar o vírus, através de erros e acertos. Sim, estamos em estado de guerra contra o vírus.

Óbvio que a vacina é a maior esperança de vencer a guerra biológica. No entanto, ela também está na fase três de eficácia. Não há comprovação científica plena para qualquer das vacinas oferecidas no mercado. Além disso, somos sete bilhões de pessoas no mundo e apenas quatro ou cinco fabricantes de vacina. Não há vacina disponível para todas as nações ao mesmo tempo. O comprador adquire a vacina e o fabricante entrega como e quando puder. Contudo, mesmo nos países com a população já vacinada o índice de morte é 20% maior se comparado com junho de 2020 (quando ainda não havia vacina). Porque isso está acontecendo? Quem são os culpados?

No Brasil a equipe médica (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas) está fazendo o que pode para salvar vidas. Nesse aspecto, fazem uso de todo tipo de medicamento disponível no mercado (antibióticos, anti-inflamatórios, anticoagulantes, vermífugos, analgésicos, vitaminas, xaropes, antivirais, etc.). Os médicos, na sua maioria, escolheram, acertadamente, não deixar a doença progredir para começar a tratar. Evitam, a todo custo, a internação do paciente. Convivem, diariamente, com a recuperação e morte de pacientes.

Todos os profissionais que trabalham na área da saúde, estão esgotados (número limitado de profissionais) e trabalhando com medo de se contaminar. Muitos foram contaminados, transmitiram o vírus aos familiares, e, outros tantos profissionais já morreram servindo ao próximo. Que drama!

Em face da acelerada transmissibilidade do vírus, os números absolutos de mortes são inaceitáveis. No Brasil já são meio milhão de mortos. Muitas famílias já perderam um ente querido e isso é muito triste. É uma catástrofe. Todavia, querer encontrar culpados para as mortes é fugir da realidade. Estamos em pandemia! A disseminação do vírus é incontrolável. Acusar o Presidente da República e seus ministros de genocida e grande responsável pelas mortes, com a narrativa política de que ele não se guia pela ciência, é leviano. Os fatos demonstram exatamente o contrário, pois, mais de dezoito milhões de vidas já foram salvas pelos médicos. Isso ninguém exalta. Todos nós somos responsáveis diante desta monstruosa crise sanitária mundial. Estamos todos no mesmo barco e ainda não nos demos conta disso. Estamos em guerra uns contra os outros (polarização política) e o vírus “nadando de braçada”, consumindo a saúde e a vida de muitos brasileiros. Nós, humanos, somos vulneráveis diante do vírus. Precisamos, juntos, destruí-lo.

Adib Jatene faz a seguinte afirmação: “Eu nunca discuto problema, tem gente que se perde na discussão do problema. Eu só discuto solução”. O médico que está na “linha de frente no combate ao vírus” é o único que tem autoridade para falar sobre o combate. Ele precisa ser ouvido e respeitado. Nenhum outro profissional (jornalista, político com interesses escusos, médico ou cientista fora da área de combate à Covid-19, etc.) tem qualificação para falar sobre o assunto. A doença é desconhecida pelos médicos do Brasil e do mundo. No combate, estão abrindo caminho para a cura e para salvar vidas. Estudos de caso e relatos científicos com conhecimento de causa (tratamento medicamentoso) deverão ser feitos apenas por médicos que atuam na área da Covid-19. Mais ninguém. Lembre-se: O vírus é o nosso inimigo. Os médicos são nossos aliados! Vamos todos juntos (médicos, homens e mulheres desta nação) combater o vírus! Façamos a nossa parte!

Luís Irajá Nogueira de Sá Júnior

Advogado no Paraná – Palestrante

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

iraja@prof.unipar.br