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Mundial dá ânimo novo para retomada da natação do Brasil

17/12/2018 11H30

Após atravessar uma grave crise institucional, iniciada em 2017 com a prisão do ex-presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) Coaracy Nunes, sob acusação de desvio de recursos públicos, a natação brasileira deu sinais de recuperação no Mundial em piscina curta (25 m) disputado em Hangzhou, na China.
Com as três medalhas conquistadas neste domingo (16), o Brasil encerrou sua participação no Mundial igualando sua segunda melhor campanha na competição.
No total, os nadadores brasileiros obtiveram 8 medalhas, sendo 2 de ouro e 6 de bronze. Em 2010, o Brasil fechou sua participação no Mundial em piscina curta de Dubai também com 8 medalhas (3 ouros, 1 prata e 4 bronzes).
A participação só foi pior que a do Mundial de 2014, em Doha, quando o país conquistou 10 medalhas, sendo 7 de ouro, 1 de prata e 2 de bronze.
Ainda mais animador que o número de medalhas conquistadas em 2018 foi a aparição de uma nova geração de nadadores entre os laureados.
Nomes como Brandonn Almeida, 21, Breno Correia, 19, e Luiz Altamir Melo, 22, deixaram o patamar de promessas para se destacar ao lado de Cesar Cielo, 31, Felipe Lima, 33, e Nicholas Santos, 38.
Destaque do Brasil nos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, em junho, com ouro nos 100 m livre, Breno voltou a nadar bem e teve participação fundamental para as conquistas do ouro e do recorde mundial no revezamento 4 x 200 m livre -assim como Luiz Altamir- e do bronze no revezamento 4 x 100 m, fazendo as melhores parciais da equipe brasileira nas duas finais.
“Nosso [revezamento] 4 x 100 m livre já vem muito bem e, agora, acho que o Brasil vai olhar com carinho também para o 4 x 200 m. A gente sai muito satisfeito com o recorde mundial. Sabíamos que era algo possível, estamos muito felizes com o objetivo concluído”, afirmou Breno ao SporTV após a conquista do ouro.
Estreante em competições desse porte, o baiano também ficou perto do bronze na prova individual dos 200 m livre, marcando o quinto tempo, com 1min42s36, a 0s08 do terceiro colocado, o australiano Alexander Graham.
Outro destaque da nova geração de nadadores do Brasil, o paulista Brandonn Almeida ganhou sua primeira medalha em mundiais adultos com o bronze nos 400 m medley.
“Vale destacar essa geração nova que está vindo forte. É muito gratificante para mim conseguir esse resultado. É um ânimo, um gás a mais”, disse Brandonn, que conquistou o ouro nos 400 m medley no Pan de Toronto em 2015, e se classificou para os Jogos do Rio. Na Olimpíada, porém, ele não foi bem e ficou em 15º.
Neste domingo (16), último dia de competição, foram as mulheres que surpreenderam, ao conquistar as primeiras medalhas da natação feminina brasileira em provas olímpicas em mundiais.
Etiene Medeiros ficou com o bronze nos 50 m livre ao concluir a prova em 23s76, novo recorde sul-americano. O ouro e a prata ficaram com as holandesas Ranomi Kromowidjojo (23s19) e Femke Heemskerk (23s67), que já tinham feito a dobradinha nos 100 m livre.
“Foi uma competição muito complicada, cheia de altos e baixos, então estou feliz de conseguir finalizá-la dessa forma. Foi uma prova difícil. Quando cheguei e vi o que tinha acontecido, quase não acreditei”, disse Etiene.
Também foi uma surpresa a conquista de Daiene Dias, bronze nos 100 m borboleta com o tempo de 56s31, novo recorde sul-americano. Ela terminou a prova atrás das americanas Kelsi Dahila, ouro com 55s01, e Kendyl Stewart, prata com 56s22.
“Com certeza foi uma surpresa. Vim para cá querendo estar em uma final, mas, quando se tem uma raia, se tem uma chance. Fui atrás da minha e consegui. É uma grande vitória para a natação feminina do Brasil”, disse Daiene.
Natural de Vitória (ES), a nadadora disputou a prova nos Jogos do Rio, em 2016, mas não conseguiu chegar à final, terminando a competição na 14ª posição. Sua maior conquista até agora havia sido uma medalha de bronze nos 200 m borboleta dos Jogos Pan-Americanos do Rio-2007.
A terceira medalha do dia foi conquistada pelo veterano Felipe Lima, que chegou à final dos 50 m peito com o oitavo melhor tempo, mas melhorou seu desempenho e conseguiu fechar a prova em 25s80, ficando com o bronze.
O ouro foi para o sul-africano Cameron van der Burgh, (25s41), e a prata para Ilya Shymanovich, de Belarus (25s77). (Folhapress)