Saúde

A morte de uma mulher de 73 anos, infartada, nesta quarta-feira (18), dentro do Hospital Nossa Senhora Aparecida, após aguardar cerca de 24 horas por uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), trouxe um alerta para a ocupação de 100% dos leitos de UTI nos hospitais de Umuarama.
Para entender a situação, o Jornal Umuarama Ilustrado entrou em contato com a direção da Casa de Saúde, com a 12ª Regional de Saúde e também com a Central de Regulação de Leitos, em Maringá, órgão da Secretaria de Estado da Saúde responsável pela distribuição de pacientes nos leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre os hospitais de Umuarama, que atendem a população de 21 municípios que compõe a área da 12ª RS.
Segundo o informado pela Central de Leitos, a idosa, vítima de infarto, não estava na relação de pacientes aguardando uma vaga de UTI.
E ainda segundo o disponibilizado pela Sesa através do site https://www.coronavirus.pr.gov.br/Campanha/Pagina/Transparencia-Leitos-e-Internados-por-Unidade-Hospitalar, das 44 camas de UTI SUS distribuídas entre os hospitais Cemil, Nossa Senhora, Norospar e Uopeccan, 41 estavam ocupadas, ou seja, com taxa de ocupação geral de 93%. Entretanto, segundo consta no documento, nos hospitais Cemil e Uopeccan 100% das vagas estavam com pacientes.
Em levantamento realizado paralelamente pelo Ilustrado, ontem (19), a ocupação de leitos também estava completa no Norospar (10 vagas) e no Nossa Senhora (10). Outro dado apurado é que nestas duas Casas de Saúde e no Cemil haviam pacientes, em algumas situações inclusive intubados, aguardando uma vaga na UTI nessas unidades hospitalares.
No Hospital Norospar, que abriga a Maternidade Regional, os 10 leitos de UTI neopediátrica estavam ocupados, bem como os dois leitos pediátricos, segundo o apurado pelo Ilustrado. No Hospital Cemil, as 10 vagas para crianças também estavam totalmente ocupadas. Já das 150 vagas de enfermaria disponíveis nos hospitais Nossa Senhora, Cemil e Norospar, 118 estavam ocupados.
Apesar da ocupação estar praticamente no limite, em nota, a Sesa informou que “A demanda por leitos está dentro da normalidade, considerando a demanda de traumas, cirurgias eletivas e também de casos de SRAG, principalmente com a chegada de temperaturas mais baixas”.
O documento ainda continua: “A Sesa avalia de maneira permanente a ocupação dos leitos em todas as Regiões do Estado. A pasta gerencia o acesso dos pacientes que precisam de transferência de acordo com a demanda, por meio do Complexo Regulador e dos critérios de prioridade e gravidade de cada caso.
O Paraná possui uma Central de Regulação de Leitos e uma ampla rede hospitalar onde são concentrados os pedidos de transferências de pacientes entre os serviços de saúde.
Este remanejamento de pacientes é comum e pode ocorrer dentro das Macrorregiões ou entre as Macros, de acordo com a disponibilidade de leitos e visando um melhor e pronto atendimento ao paciente.
Quando não há vagas em um hospital, a Central de Regulação de Leitos realiza uma busca por disponibilidade em outro local”.
E finaliza: “A transferência de pacientes pode ocorrer dentro da mesma cidade, regional ou macro, ou até mesmo entre as macrorregiões, tudo depende da disponibilidade e da demanda, priorizando a necessidade e segurança do paciente”.
Segundo a chefe da 12ª Regional de Saúde, Viviane Herrera, o crescimento no número da procura por atendimento médico é sazonal e comum com a chegada do inverno, pois a quantidade de pessoas com problemas respiratórios aumenta, bem como o risco de infartos e AVCs. “E ainda temos a dengue e os politraumatismos que ocorrem todos os dias”, salientou.
Viviane ainda afirmou que uma vez que o paciente está inserido dentro da Casa de Saúde, o tratamento deve ser prestado com todos os recursos disponíveis, independente de haver vaga na UTI ou não. “Os prontos socorros dos hospitais têm equipamentos para manter o paciente estável até o surgimento da vaga. A nossa região é privilegiada, pois temos uma estrutura hospitalar que cidades vizinhas não dispõe e o tempo de espera por uma vaga pela Central de Leitos dificilmente passa de um dia. Em outras regionais o tempo de espera pode ser maior”, ressaltou.
O Jornal Umuarama Ilustrado tentou contato durante todo o dia de ontem com a direção do Instituto Nossa Senhora Aparecida, mas até o fechamento da edição, às 19 horas, não obteve um retorno. Salientamos que o espaço está aberto para manifestação ao INSA, bem como a todos os citados na reportagem.