REVOLTA

Moradores de Umuarama organizam para o próximo domingo, 1º de março, uma passeata em busca de melhorias no atendimento da saúde pública do município. A concentração está marcada para às 9h30, na Praça Santos Dumont, de onde os participantes seguirão em caminhada até o Pronto Atendimento Municipal (PAM).
O movimento é liderado por Larissa Hennydth Campos Addi e, segundo ela, a mobilização tem como principal objetivo reivindicar mais qualidade no atendimento, melhor qualificação profissional e investimentos em equipamentos que auxiliem em diagnósticos mais precisos. A organização afirma que a manifestação será pacífica.

A mobilização ocorre após a morte do menino Enzo Costa da Silva, de 12 anos, que faleceu no último domingo (22), depois de dias internado no Hospital Norospar.
Conforme relato da família, Enzo começou a sentir fortes dores abdominais no dia 16 de fevereiro e foi levado ao PAM, sendo liberado após avaliação médica. No dia seguinte, retornou à unidade com piora do quadro, apresentando febre e intensificação das dores, quando foram solicitados exames.

No dia 18, diante de sinais de inflamação abdominal grave e suspeita de apendicite, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e realizou a transferência para o Hospital Norospar. Na unidade hospitalar, foi constatada a ruptura do apêndice. O menino passou por cirurgia de urgência, mas evoluiu com infecção generalizada e não resistiu às complicações.
O caso gerou grande comoção na cidade e levantou debates sobre a condução de atendimentos no PAM. Antes dele, outros episódios também foram lembrados por participantes do movimento.
Larissa relata que conhecia Enzo, amigo de seu filho, e outras pessoas que, segundo ela, enfrentaram situações semelhantes na unidade. A indignação após o caso motivou a criação de um grupo em aplicativo de mensagens que, em poucas horas, reuniu centenas de integrantes. Atualmente, o grupo conta com cerca de 800 participantes.
Durante a passeata, os organizadores pretendem utilizar faixas, cartazes e cruzes simbólicas. Ao final do ato, em frente ao PAM, está prevista uma homenagem com balões brancos. A organização reforça que o objetivo é chamar a atenção das autoridades para a necessidade de avanços estruturais e administrativos na saúde municipal.
Afastamento e investigação
Após o caso envolvendo o menino Enzo, a Secretaria Municipal de Saúde determinou o afastamento, por tempo indeterminado, da médica responsável pelos atendimentos no PAM. A medida é preventiva e seguirá até a conclusão da sindicância instaurada para apurar a conduta profissional.
Segundo nota oficial da Prefeitura, a comissão foi aberta na segunda-feira (23) e irá analisar todos os procedimentos adotados durante os atendimentos para verificar se houve eventual falha técnica. O município também manifestou solidariedade à família e reafirmou compromisso com a qualidade e a humanização dos serviços de saúde.

Defesa da médica
Em entrevista ao Ilustrado, a profissional — que pediu para não ter o nome divulgado — negou negligência e afirmou estar sofrendo ataques nas redes sociais.
Ela declarou que, no primeiro atendimento, o paciente não apresentava sinais típicos de abdome agudo, como febre alta, rigidez abdominal ou vômitos persistentes. No retorno, com agravamento do quadro, foram solicitados exames laboratoriais e de imagem. Segundo ela, apenas o exame de urina apresentou alteração compatível com possível infecção urinária, sendo iniciada medicação e solicitada ultrassonografia.
Com o resultado do exame indicando suspeita de apendicite, afirmou ter acionado o SAMU e comunicado a equipe cirúrgica do hospital responsável pela internação. Apesar da intervenção, o quadro evoluiu de forma grave.
Nota do Norospar
Já o Hospital Norospar comunicou que o paciente deu entrada em estado grave, com quadro de apendicite supurada associada à peritonite e choque séptico, tendo sido submetido a cirurgia de urgência e encaminhado à UTI, mas não resistiu às complicações decorrentes da sepse.