Policial

MEDO

Moradores dos Jardins Real e Nova América de unem para conter arrombamentos

13/01/2020 09H53

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Uma onda de arrombamentos a residências nos bairros Jardim Real e Nova América, em Umuarama, levou os moradores a união. Eles despertaram a empatia pelos vizinhos que foram vítimas dos criminosos ao invés de investir apenas no reforço da segurança de sua casa.

VIZINHO SOLIDÁRIO

Uma das primeiras iniciativas foi criar um grupo de What’sApp, onde todos os participantes atuam como ‘vigilantes’ do bairro “, ou Vizinho Solidário. A marca já está presente na maior parte das casas dos bairros.

Se alguém vê um carro estranho parado, já coloca no grupo e quem tem câmera já começa a ver se tem mais informações. Se vemos pessoas diferentes andando por aqui é a mesma coisa. Nos comunicamos e ficamos todos atentos”, explicou Angélica, que teve a ideia do grupo. Atualmente já são 126 participantes.

VIGILANTE

Nesta semana, criaram um segundo grupo com o projeto denominado “Patrulhamento no Bairro”, que até o momento conta com a adesão pelo 40 famílias interessadas na contratação de um guarda para realizar rondas durante o dia na localidade.

“O candidato é um morador do bairro. Isso nos deixa mais seguros. Mas a presença da polícia e da guarda já garante essa sensação. Estão presentes desde o início da semana e todos estão comemorando”, explicou Angélica.

ARROMBAMENTOS

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A ideia do vigilante ocorreu após um comércio situado na avenida Alexandre Ceranto ser arrombada e os ladrões levarem dois veículos de clientes, no início da semana. Um dos carros foi encontrado abandonado no Jardim Canadá. “O comerciante é morador do bairro. Ficou com o prejuízo. Não foram os carros dele que levaram. Foram de clientes”, ressaltou o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim São Cristóvão, Jean Carlos Felipe.

“Não sei o que aconteceu nas últimas semanas com essa quantidade de arrombamentos. Tem gente que teve a casa invadida três, duas, uma vez. Há inclusive uma moradora que está considerando mudar do bairro por causa dessa insegurança. Ela mora de aluguel e o proprietário não quer investir para reforçar a segurança do imóvel e ela está com medo”, explicou Angélica.

OUSADIA

Uma das ações mais ousadas ocorreu na casa de Renata. Ela e o marido saíram para trabalhar e quando ela chegou em casa no dia 18 de dezembro, encontrou o imóvel ‘vazio’. Os criminosos levaram geladeira, micro-ondas, cama, tapetes, televisores, videogame, aspirador de pó, panela elétrica, ventilador, cobertores, malas, roupas, perfumes, calçados, mochilas, entre outros itens menores que aos poucos o casal vai percebendo. “

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PREJUÍZO

“Moro aqui há um ano e meio, desde que casei. A sensação de insegurança que ficou é enorme. Não recuperamos nada e tivemos que por cerca elétrica, portão eletrônico e alarme”, contou Renata. O prejuízo deixado foi de mais de R$ 12 mil.

“Meus móveis eram todos novos. E para piorar, no dia 24, meu vizinho da rua debaixo teve dois televisores levados. Isso nos assustou”, explicou. Todos os arrombamentos aconteceram no período da tarde.

“Antes eu não participava do grupo até porque eu saia pro serviço, e do serviço para casa, então quase não via os vizinhos. Mas agora, com o vizinho solidário isso mudou muito. Nós fomos ajudados e agora estamos ajudando, isso é muito bom ter nos bairros”, salientou Renata.

Busca de ajuda

Outra ação adotada pelos moradores foi através da Associação dos Moradores e Amigos do Jardim São Cristóvão (Ajax), que abrange também esses dois bairros, com um pedido de socorro feito diretamente ao comando do 25º Batalhão da Polícia Militar de Umuarama (BPM). “Os moradores me procuraram e intermediamos esse encontro. Eles puderam pontuar todas as reclamações”, explicou o presidente da associação Jean Carlos Felipe.

“E também buscamos a imprensa, para sabermos se temos voz. Todas essas ações resultaram na Polícia Militar e na Guarda Municipal que estão realizando patrulhamentos nos bairros. Todos estão postando fotos e colocando comentários de como estão felizes e satisfeitos com a presença deles. Isso nos dá sensação de segurança”, afirmou Angélica.

Segundo o Aspirante Hélio Carvalho, da Polícia Militar, a demanda dos moradores foi muito bem-vinda e ocorreu antes mesmo dos dados dos furtos aparecerem no sistema de georreferenciamento adotado para intensificar o patrulhamento na cidade. “Essa demanda fez com que adiantássemos a intensificação desses patrulhamentos. Trabalhamos por demandas e elas constantemente são alteradas de acordo com os locais e número de ocorrências”, explicou o militar. Ele destacou a importância da formalização do boletim de ocorrência quando há esse tipo de crime, pois ajuda a polícia a identificar os pontos que precisam de atenção especial.