UMUARAMA

Moradora de Umuarama há mais de seis décadas, Elísia Silva Custodio completou 101 anos de vida nesta quinta-feira (18). Natural de Brejinho das Ametistas, distrito de Caetité, no interior da Bahia, ela construiu no município uma trajetória marcada pelo trabalho, pela dedicação à família e por uma história que atravessa gerações.
Nascida em 18 de dezembro de 1924, Elísia veio ao mundo em uma família numerosa. Era a filha mais nova de 13 irmãos, todos já falecidos. Desde cedo, aprendeu o valor do trabalho e passou grande parte da vida atuando na lavoura. Já no fim da vida profissional, também trabalhou como doméstica.
Em 1955, em busca de novas oportunidades, mudou-se para o Paraná. Inicialmente, estabeleceu-se em Marialva, depois em Jussara, até chegar a Umuarama, em 1961, cidade que se tornaria seu lar definitivo. A escolha pelo município partiu do marido, Genésio Vicente Custodio, que negociou uma propriedade rural juntamente com uma casa na cidade.
Ao se estabelecer em Umuarama, Elísia passou a morar na Rua Curitiba, na região da Praça 7 de Setembro. Quando chegou à cidade, a realidade era bem diferente da atual. Não havia asfalto. O percurso até o cinema localizado no centro, por exemplo, era feito por estradas de terra, cercadas por mato. Ao longo dos anos, ela acompanhou de perto a transformação urbana e o crescimento do município.
A história do casal também chama atenção: Genésio havia sido casado com uma das irmãs mais velhas de Elísia, que faleceu ainda jovem. Anos depois, ao retornar à Bahia, ele conheceu Elísia, com quem se casou e formou nova família.

Do primeiro casamento, Genésio teve três filhos, quase da mesma idade de Elísia. Todos já faleceram, mas sempre mantiveram uma relação de carinho com ela, tratando-a como madrinha. Do casamento entre Elísia e Genésio nasceram mais três filhos: Ademar, Ivo e Adenir.
A viuvez chegou em 1975, quando Genésio morreu em decorrência de um câncer. Desde então, Elísia nunca mais se relacionou. Por decisão própria, optou por permanecer sozinha e dedicar-se à família. Mesmo viúva, viveu sozinha em sua casa até os 94 anos. Quando precisou colocar um marcapasso, passou a morar com um dos filhos, também em Umuarama. A mudança não foi fácil, já que sempre gostou da independência e de viver sozinha.
Conhecida pela hospitalidade, Elísia adorava receber amigas em casa. As conversas eram longas, e a residência estava quase sempre cheia. Com o passar dos anos, muitas dessas amigas faleceram e hoje restam apenas algumas, o que tornou a rotina mais silenciosa, mas não menos serena.

Atualmente, ela mantém hábitos simples que sempre fizeram parte de sua vida. Gosta de sentar-se na área da casa para ler jornal e observar o movimento das pessoas passando pela rua. Na alimentação, prefere o básico: arroz, feijão e carne. Uma curiosidade é que não gosta de verduras e nunca teve gosto por comidas diferentes ou sofisticadas, mantendo sempre uma alimentação simples.
Elísia é mãe de três filhos, avó de cinco netos e bisavó de oito bisnetos. Para a família, é uma matriarca admirada, símbolo de amor, união e sabedoria.