Umuarama

CORONAVÍRUS

Médico alerta para dias piores e vê no lockdown saída para reduzir mortes em Umurama e região

19/03/2021 08H48

O médico Ronaldo de Souza no dia que tomou a primeira dose da vacina contra o coronavírus em Umuarama

O áudio do médico Ronaldo de Souza, responsável pela Ala-Covid do Hospital Cemil de Umuarama, rodou os celulares dos umuaramenses na tarde de ontem e retratou a triste realidade que o sistema de saúde da cidade e região vive, em relação aos casos de covid-19. Com o aumento das mortes pela doença transmitida pelo coronavírus, a falta de medicamentos, estrutura física e profissionais, Souza ressaltou que o fechamento geral de Umuarama e cidades da região seria uma das poucas medidas que poderia mudar a situação caótica.

Ronaldo de Souza atua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cemil atendendo pacientes com covid-19 desde o início da pandemia e conforme o médico, a situação vivida na capital Manaus chegou até a população da região. “A situação dos hospitais é caótica, não tem mais onde colocar paciente. Hoje (quinta-feira 18), tínhamos 18 pacientes intubados, sendo que um deles no Pronto Socorro. O mais triste é que temos apenas um respirador disponível para todos os pacientes covid-19 e isso não é só no Cemil”, explicou.

No áudio o médico falou além da falta de leitos, como também, da escassez de medicamentos, principalmente dos sedativos que devem acabar nos próximos seis dias. “Tudo tem limite. Hoje não tem mais sedativos, não tem para comprar, não tem respirador para comprar. Todo mundo acha que isso vai passar, mas ninguém tá fazendo nada para isso e isso não vai passar tão cedo”, disse Souza.

Com a voz cansada, Souza ainda contou das mortes que estão aumentando e das pessoas que morrem sem conseguir entrar no hospital. “Precisamos escolher quem pode sobreviver. Quem tem mais prognóstico de sobrevida e não é o que queremos, queremos atender todo mundo, mas não temos estrutura física para isso”, desabafou.

Lockdown

Em meio ao agravamento da pandemia em Umuarama e região, o médico vê apenas uma saída para evitar o volume de mortes que estão por vir, que seria o lockdown, ou seja, o fechamento de Umuarama e todas as cidades da região, as quais dependem do atendimento de saúde da Capital da Amizade.

“Para poder diminuir os casos, para não morrer tantas pessoas como estão morrendo, só tem uma solução e seria fechar tudo por 10 a 14 dias. Claro que fazendo isso de forma programada, para as pessoas se organizarem com calma. Essa é a única maneira de tentar diminuir o número de pessoas doentes e mortas, o reflexo não é imediato, mas de 15 a 20 dias” noticiou.

Tratamento precoce

Ainda segundo Ronaldo de Souza, não existe tratamento precoce e os medicamentos usados para diminuir a progressão da doença não estão apresentando respostas. “Pacientes mais jovens entre 29 e 34 anos estão chegando em estado grave. A situação é muito grave, nós profissionais de saúde não vamos desanimar, mas é muito triste perguntar para o amigo de trabalho se está chorando e ele falar que não teve tempo de chorar. Muitas pessoas estão rindo da nossa cara e dizendo que estamos falando não é verdade, mas não temos motivo para não falar a verdade”, ressaltou o médico.