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Médica fala sobre o crescimento do número de diagnóstico de autismo

02/04/2023 08H02

Leslye Sartori Iria
Médica pediatra e especialista no atendimento às crianças com autismo em Umuarama, Leslye Sartori Iria

Se há alguns anos era raro conhecer uma criança com autismo, hoje a realidade é bem diferente. Dados divulgados nesta semana pelo CDC (Centro de Controle de Prevenção e Doenças) apontam que uma a cada 36 crianças até oito anos de idade possui autismo nos EUA.

Como ainda não há dados oficiais sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil, o relatório é a estatística adotada como referência quando se trata do assunto. Apenas para se ter uma ideia, se os dados do estudo forem aplicados à realidade brasileira, poderíamos ter cerca de 5,95 milhões de autistas no país.

De acordo com o Serviço de Atendimento Psicológico (SAP) da Secretaria Municipal da Saúde, há hoje em atendimento 124 crianças e adolescentes em investigação ou já diagnosticados com autismo.

“Estamos buscando oferecer para a população todas as terapias necessárias. Hoje são disponibilizados atendimentos em psicoterapia, neurologia, psiquiatria, fonoaudiologia, nutrição e equoterapia. Também planejamos a criação do Centro de Atendimento para Pessoas com Espectro Autista na cidade”, pontua a coordenadora do serviço, a psicóloga Nathalia Giroldo.

O AUTISMO ESTÁ AUMENTANDO?

Médica pediatra e especialista em desenvolvimento infantil, Leslye Sartori Iria viu o número de diagnósticos de autismo disparar em seu consultório. “Quando saí da residência, havia pouca informação sobre autismo. Quando cheguei ao consultório, percebi a realidade: o número de crianças que passavam por mim com sinais autísticos era impressionante”, afirma.

Em 2017, o autismo entrou de vez para a vida da médica e sua família, como ela gosta de ressaltar. “Depois de identificar alguns atrasos no desenvolvimento da minha filha, ela recebeu o diagnóstico de TEA com um ano e quatro meses. Na época havia pouca informação e poucos profissionais especializados no diagnóstico e tratamento, diz”.

Em busca de informação para ajudar a própria filha e os pacientes que não paravam de aumentar, a pediatra se especializou na área. “Eu vejo muita gente falando que autismo está na moda. Na verdade, autismo sempre existiu. O que nós temos agora são mais ferramentas para identificá-lo e profissionais capacitados para isso”.

O DIAGNÓSTICO PRECOCE

Ainda de acordo com a médica, quanto antes o diagnóstico de TEA for feito melhor. “O tratamento para autismo é feito por meio de intervenções com profissionais de várias especialidades. Elas podem começar antes mesmo de um diagnóstico ser fechado. A intervenção precoce aumenta as chances daquela criança se desenvolver”, explica.

A médica destaca que não escolheu o autismo, mas ele escolheu sua minha família com o diagnóstico da filha Isadora. “Ele entrou destruindo minhas certezas colocando à prova as minhas convicções como mãe e como médica. Hoje eu vejo que temos um desafio pela frente: fazer o diagnóstico precoce e oferecer a todas as crianças a oportunidade de um atendimento multidisciplinar”, destaca.

DIAGNÓSTICO NÃO É O FIM

Com a certeza de que os casos de autismo vão aumentar, a médica se dirige aos pais: “se você suspeita que há algo diferente com o seu filho, investigue! Ninguém conhece melhor uma criança do que quem convive com ela. Já para quem tem um filho com diagnóstico, eu digo como mãe: o diagnóstico não é o fim, mas sim um mar de possibilidades que se abre para que nossos filhos evoluam”, finaliza.