Umuarama

INFORME UEM AGRÍCOLA

Manejo de nematoides na soja do Arenito requer cuidados especiais

14/06/2020 07H27

Professora Dra. Claudia R. Dias Arieira

Nematologista

Depto de Ciências Agronômicas, UEM – Umuarama

Os nematoides são organismos vermiformes que ocorrem em todos os solos agrícolas e, como são parasitas obrigatórios, só sobrevivem na presença de uma planta hospedeira viva. Estima-se que os nematoides causem prejuízos anuais à agricultura brasileira próximos a R$ 35 bilhões

As espécies de nematoides mais importantes para a sojicultura do Arenito Caiuá são os nematoides das galhas, Meloidogyne spp., e o nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus. Ainda, no noroeste do Paraná, tem sido frequente a ocorrência de Scutellonema brachyurus e Helicotylenchus dihystera, cujas pesquisas de manejo ainda são restritas. É comum que os nematoides ocorram em populações mistas, por isso, o primeiro passo para a tomada de decisão de manejo, é a diagnose correta, que deverá ser feita em laboratório especializado.

Raiz de soja com infecção mista por Meloidogyne (sintoma de galhas) e Pratylenchus brachyurus (perda da raiz pivotante)

Esses nematoides parasitam praticamente todas as plantas cultivadas na região. Só para se ter uma ideia, os nematoides das galhas podem infectar soja, milho, milheto, sorgo, algodão, feijão, aveia, trigo, cana-de-açúcar, entre outras. Pratylenchus brachyurus, além de todas estas, parasita também a braquiária. Assim, o produtor deverá aliar diferentes estratégias, sendo primordial a sucessão com espécies não hospedeiras do nematoide e o tratamento químico ou biológico no momento da semeadura da soja.

MANEJO

O manejo de nematoides no Arenito é ainda mais desafiador, pois Pratylenchus brachyurus, o mais problemático na região, causa mais danos em solos arenosos, de baixa fertilidade e com pH baixo. Assim, o aumento da matéria orgânica do solo (MOS) é um dos principais aliados no manejo desta espécie no Arenito Cauiá. O grande desafio é: qual planta deverá ser introduzida na área?

Área de baixa fertilidade com problemas de Pratylenchus brachyurus

As espécies de crotalária são consideradas as principais redutoras de nematoides, mas deve-se evitar o plantio de Crotalaria juncea, pois ela multiplica P. brachyurus. Então, podemos optar por Crotalaria spectabilis, Crotalaria ochroleuca ou Crotalaria breviflora. O insucesso no controle de nematoides usando crotalária no Arenito, está relacionado ao mal desenvolvimento das plantas e falha no fechamento do estande. Para que o nematoide seja reduzido, não pode haver na área tigueras de soja e milho ou plantas daninhas.

A época ideal de semear a crotalária é setembro/outubro, ou seja, é uma cultura de verão. Mas, assim, ela ocuparia o lugar da soja, o que tornaria o cultivo inviável para a maioria dos produtores. Outra opção é o plantio em segunda safra, desde que não seja semeada tardiamente. Logo, quem vai plantar crotalária, deve semear a soja logos após o término do vazio sanitário e escolher cultivares de ciclo mais curto.

Em áreas em que prevalecem as populações de P. brachyurus, uma opção para evitar os problemas de fechamento de estande de crotalária, é o consórcio com o milheto cultivar ADR 300, que é comprovadamente boa redutora do nematoide. Notem que, em área com nematoides das galhas, o milheto deve ser evitado, pois ele multiplica Meloidogyne. Outra opção para as áreas com problemas de lesões, é o cultivo da aveia preta, especialmente a cultivar IAPAR 61 Ibiporã.

No caso das áreas com Meloidogyne, o cultivo de braquiária pode auxiliar na redução do nematoide. Contudo, a população de Pratylenchus precisa ser monitorada, pois a planta é suscetível ao nematoide. Ainda assim, a braquiária traz inúmeros benefícios aos sistemas, principalmente no que tange ao aumento da MOS, importante para o Arenito. Desta forma, em breve, voltaremos para falar do uso da braquiária no Arenito Caiuá, bem como vantagens e cuidados necessários quanto ao uso da cultura.