Umuarama

AGOSTO DOURADO

Mãe e doula, psicóloga umuaramense desmistifica o ato do aleitamento materno

15/08/2020 07H50

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A psicóloga e doula, Cíntia Daiane Schirmer Richert, mãe do Mateus de oito meses, faz parte de um grupo de profissionais que derrubam mitos e promovem conhecimento às gestantes e lactantes de Umuarama. Em referência ao Agosto Dourado, ela foi convidada pelo jornal Umuarama Ilustrado para falar sobre o aleitamento materno.

Cíntia amamenta Mateus em livre demanda desde o seu nascimento e em suas redes sociais demonstra com orgulho o gesto, como forma de incentivar as demais mães.  “Este ano o tema do Agosto Dourado é “Apoie o Aleitamento Materno por um Planeta Saudável”. A temática se concentra no impacto da alimentação infantil no meio ambiente, mudança climática e no imperativo de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno, para a saúde do planeta e de seu povo”, explicou.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Associação Pan-Americama de Saúde, o aleitamento materno é a base para a sobrevivência, nutrição e o desenvolvimento de lactentes e crianças pequenas, bem como traz benefícios para saúde materna. Cíntia ressalta que é recomendo o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, seguido por continuação do aleitamento e complementação alimentar adequada por até 2 anos ou mais.

“A amamentação promove a microbiota intestinal saudável, protege contra mortes infantis causadas por doenças infecciosas, podendo prevenir mais da metade dos episódios de diarréia, além de diminuir sua gravidade. Além disso, previne um terço das infecções respiratórias, incluindo otite média aguda nos dois primeiros anos de vida. Há ainda a diminuição da prevalência de rinite alérgica nos primeiros cinco anos de vida e eczema nos primeiros dois anos de vida”, disse a entrevistada.

Em comparação aos bebês em aleitamento exclusivo, o risco de mortalidade é 14 vezes maior naqueles não amamentados. “Mais de 820 mil vidas poderiam ser salvas todos os anos entre crianças menores de cinco anos, se todas fossem amamentadas da forma ideal”, noticiou a psicóloga.

A amamentação para as mães leva proteção contra o câncer de mama e pode proteger contra o câncer de ovário e diabetes tipo 2.

CONFIRA A ENTREVISTA:

Umuarama Ilustrado: Muitas mães falam do desejo de amamentar, mas qual a realidade desse mundo?

Cíntia Richert: “A grande maioria das gestantes quando perguntadas sobre o desejo de amamentar de forma prolongada respondem positivamente, porém a realidade gritante é que no Brasil mesmo sendo recomendado o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e, após esse período, até 2 anos ou mais (complementado com a alimentação), a média de tempo de aleitamento materno exclusivo é de apenas 54 dias, ocorrendo vários contratempos e impedimentos externos e internos a puérpera”.

“Gostaria de esclarecer que ninguém fala sobre o agosto dourado e amamentação para machucar alguém que por qualquer motivo, não amamentou. Mas infelizmente o ‘comum’ acaba sendo não amamentar. Infelizmente a grande maioria das mulheres e famílias não tem acesso a informação de qualidade ou rede de apoio e acabam perdendo a amamentação por conta disso”.

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Umuarama Ilustrado: Chupetas e outros bicos podem atrapalhar na amamentação?

Cíntia Richert: “Infelizmente temos várias práticas que são contra o aleitamento materno, aqui cito o mais polêmico e comum, porém, não único: o uso de bicos artificiais – chupeta, mamadeira, bico intermediário de silicone – estes causam confusão de bicos e consequentemente dor ao amamentar, pega incorreta do bebê ao seio, uma ordenha do bebê pouco efetiva, perda de peso ou não ganho de peso suficiente do bebê e a consequência acaba sendo o desmame precoce”.

“Um ciclo vicioso interminável que vemos todos os dias em tantas famílias. Minando então a auto-confiança da mãe em amamentar seu filho. Sendo que culturalmente o uso de bicos artificiais é algo comum, desejável e normatizado, já estando na lista do enxoval por prometer (falsamente) menos choro e mais comodidade aos pais, não alertando seus malefícios, por mais que em qualquer embalagem destes é citado o risco de desmame”.

Umuarama Ilustrado: Além dos bicos artificiais, é possível citar outro fator para o desmame precoce?

Cíntia Richert: “Temos vários outros motivos de desmame precoce, gostaria de citar também a falta de apoio de familiares e amigos, pitacos sem conhecimento na área, e também a grande quantidade de profissionais desatualizados e desinformados sobre o aleitamento, eu considero que toda mulher para amamentar precisa se sentir segura, apoiada e incentivada”.

Umuarama Ilustrado: Quais as dicas você dá para as mães que querem amamentar?

Cíntia Richert: Há quem diga que a gestante deve preparar os seios durante a gravidez, porém não é necessária nenhuma preparação física, nem cremes, nem esticar, nem esfregar com toalha. Nada disso! A única preparação útil é a informação, e aqui destaco que informação não é julgamento. Informação é cura, apoio, confiança e defesa do seu protagonismo. É ter voz para não cair nas mãos de um sistema pró desmame. Amamentar gera em nós mulheres grandes questões emocionais e físicas, afinal é a forma de nutrição de nosso bebê, se eu não confio que meu corpo pode faze-lo acabo cedendo a outras formas. Amamentar na grande maioria das vezes exige persistência, exige busca de ajuda e auto-confiança que nosso corpo que gerou, gestou é sim capaz de nutrir, temos que acreditar nisso”.

Umuarama Ilustrado: Como a mãe pode encontrar informações sobre o assunto?

Cíntia Richert: “Em nossa cidade temos apoio, como por exemplo o Banco de Leite na maternidade do hospital Norospar, e também temos hoje várias consultoras em amamentação capacitadas. Uma dica é: em vez de dar ou fazer um enxoval de mamadeiras, chupetas e afins, invista em informação de qualidade , fortaleça sua rede de apoio, e se necessário busque ajuda.”

APOIO AO CONHECIMENTO

Você que deseja amamentar ou apoiar alguém, conheça alguns sites de pesquisa: