Umuarama

MEIO AMBIENTE

Macacos que vivem há três décadas em mata urbana passam por monitoramento ambiental

12/10/2025 09H06

Jornal Ilustrado - Macacos que vivem há três décadas em mata urbana passam por monitoramento ambiental

Há cerca de trinta anos, uma colônia de macacos vive em uma área de mata no perímetro urbano de Umuarama no Parque Primeiro de Maio, e ao longo desse tempo, os animais se tornaram parte do cotidiano da comunidade. Estima-se que aproximadamente 30 primatas habitem o local — um número considerado acima da média nacional, já que, em áreas do mesmo porte, geralmente são encontrados cerca de 15 animais.

O Instituto Água e Terra (IAT) iniciou em julho deste ano um trabalho de monitoramento e investigação ambiental na área. O estudo busca identificar árvores frutíferas existentes e mapear a população de macacos, com o objetivo de planejar ações que garantam melhores condições de sobrevivência e equilíbrio ecológico.

A Prefeitura de Umuarama, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, também tem papel ativo na conservação. De acordo com o chefe do Setor de Saúde, Proteção e Bem-Estar Animal, José Guilherme de Oliveira Junior, parte das frutas excedentes do Banco de Alimentos é destinada diariamente aos macacos. Além disso, moradores vizinhos ajudam na alimentação e no cuidado com os animais.

Jornal Ilustrado - Macacos que vivem há três décadas em mata urbana passam por monitoramento ambiental

“Há um casal que mora em frente à entrada do parque e alimenta os macacos com frequência. A mulher, inclusive, é a única pessoa com quem os animais têm contato físico quando necessário, o que mostra o vínculo criado ao longo dos anos”, destacou Junior.

Um dos principais desafios é a falta de uma fonte de água natural na área. Atualmente, os próprios moradores garantem a hidratação dos animais, levando água até um ponto específico da mata. Para melhorar a alimentação a prefeitura instalou, no ano passado, uma bancada mais ao interior da floresta, onde as frutas são deixadas.

Jornal Ilustrado - Macacos que vivem há três décadas em mata urbana passam por monitoramento ambiental

Tanto o IAT quanto a administração municipal avaliam projetos para levar água até o local e ampliar o plantio de árvores frutíferas, mas o diretor do instituto, Luiz Cardoso, explica que a questão ainda demanda estudos técnicos para viabilizar as intervenções.

Cardoso também reforça que a população pode continuar ajudando, mas com responsabilidade. “Os macacos podem ser alimentados, mas apenas com frutas. Produtos industrializados devem ser evitados, pois fazem mal à saúde dos animais. Também pedimos que os alimentos sejam deixados na área interna da mata, onde está a bancada, para evitar que os macacos se aproximem das ruas”, orientou.

Símbolos de resistência e convivência entre natureza e urbanização, os macacos da mata de Umuarama seguem sob o olhar atento de moradores e autoridades ambientais — um exemplo de harmonia e cuidado coletivo que agora ganha atenção científica para garantir sua preservação a longo prazo.

Jornal Ilustrado - Macacos que vivem há três décadas em mata urbana passam por monitoramento ambiental