MEIO AMBIENTE

Há cerca de trinta anos, uma colônia de macacos vive em uma área de mata no perímetro urbano de Umuarama no Parque Primeiro de Maio, e ao longo desse tempo, os animais se tornaram parte do cotidiano da comunidade. Estima-se que aproximadamente 30 primatas habitem o local — um número considerado acima da média nacional, já que, em áreas do mesmo porte, geralmente são encontrados cerca de 15 animais.
O Instituto Água e Terra (IAT) iniciou em julho deste ano um trabalho de monitoramento e investigação ambiental na área. O estudo busca identificar árvores frutíferas existentes e mapear a população de macacos, com o objetivo de planejar ações que garantam melhores condições de sobrevivência e equilíbrio ecológico.
A Prefeitura de Umuarama, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, também tem papel ativo na conservação. De acordo com o chefe do Setor de Saúde, Proteção e Bem-Estar Animal, José Guilherme de Oliveira Junior, parte das frutas excedentes do Banco de Alimentos é destinada diariamente aos macacos. Além disso, moradores vizinhos ajudam na alimentação e no cuidado com os animais.

“Há um casal que mora em frente à entrada do parque e alimenta os macacos com frequência. A mulher, inclusive, é a única pessoa com quem os animais têm contato físico quando necessário, o que mostra o vínculo criado ao longo dos anos”, destacou Junior.
Um dos principais desafios é a falta de uma fonte de água natural na área. Atualmente, os próprios moradores garantem a hidratação dos animais, levando água até um ponto específico da mata. Para melhorar a alimentação a prefeitura instalou, no ano passado, uma bancada mais ao interior da floresta, onde as frutas são deixadas.

Tanto o IAT quanto a administração municipal avaliam projetos para levar água até o local e ampliar o plantio de árvores frutíferas, mas o diretor do instituto, Luiz Cardoso, explica que a questão ainda demanda estudos técnicos para viabilizar as intervenções.
Cardoso também reforça que a população pode continuar ajudando, mas com responsabilidade. “Os macacos podem ser alimentados, mas apenas com frutas. Produtos industrializados devem ser evitados, pois fazem mal à saúde dos animais. Também pedimos que os alimentos sejam deixados na área interna da mata, onde está a bancada, para evitar que os macacos se aproximem das ruas”, orientou.
Símbolos de resistência e convivência entre natureza e urbanização, os macacos da mata de Umuarama seguem sob o olhar atento de moradores e autoridades ambientais — um exemplo de harmonia e cuidado coletivo que agora ganha atenção científica para garantir sua preservação a longo prazo.
