Dr. Eliseu Auth

Eliseu Auth

Lições do Índio ao homem branco

02/02/2021 05H15

Eliseu Auth

Há alguns dias eu trouxe algumas lições que o sábio índio “Duwamish” deixou para nós, “homens brancos”. Foi numa carta extensa que ele escreveu e que nós temos que ler, entender, aprender e degustar. Vou avançar na carta ao presidente americano que propôs comprar as terras da tribo em Washington:

“(…) (O homem branco) deixa para trás o túmulo de seus pais, sem remorsos e sem consciência. Rouba a terra dos seus filhos. Nada respeita. Esquece a sepultura dos antepassados e o direito dos seus filhos. Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si, desertos. A vista de suas cidades é um tormento para os olhos do homem vermelho. Mas, talvez isso seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende…

“Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem um lugar onde se possa ouvir o desabrochar a folhagem da primavera ou o tinir das asas de insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim, uma afronta contra os ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa os sapos no brejo, à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho da água e o próprio cheiro do vento purificado pela chuva do meio dia e com aroma do pinho. O ar é precioso para o índio. Porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar – animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo ele é insensível ao seu cheiro. Se eu me decidir a aceitar (a venda de nossas terras ao grande Chefe de Washington), imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonadas pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem (…)”. E por aí vai. Num dia qualquer voltarei à carta com mais lições do índio ao homem branco.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).