Colunistas

Relembrando

Janete Clair, a maior autora de novelas do Brasil

27/11/2020 08H57

Foto: Janete Clair hoje é tida como símbolo de carisma, simplicidade e talento. Suas histórias ainda povoam a mente dos brasileiros apaixonados pelas telenovelas / Arquivo GB Imagem

Ela foi a única a alcançar 100 pontos de audiência

“Eu acho que eu entendo um pouco da psicologia do povo, eu sei o que ele gosta de ver, o que gostaria de sentir naquele momento. É uma emoção de alegria, tristeza, é uma emoção de drama. Você sabendo dosar isso bem, não é uma fórmula para atingir o sucesso, mas é uma maneira de atingir o publico, é uma comunicação de gente para gente, de emoção para emoção. Eu acho que é isso, não pode ser outra coisa. Eu não estudei para isso, é uma intuição, é um sexto sentido”, dizia Janete Clair sobre sua facilidade para construir histórias bem-sucedidas entre o público.

Considerada uma das maiores autoras de telenovelas do Brasil, Janete Clair, nasceu Janete Stocco Emmer em 25 de abril de 1925, na cidade de Conquista, Minas Gerais. Aos vinte anos passou num teste para ser locutora e rádio atriz da Rádio Tupi. Adotou o sobrenome artístico Clair, inspirada na música “Clair de Lune” de Claude Debussy por sugestão de Otávio Gabus Mendes. Nessa época, trabalhando na rádio, conheceu e se apaixonou por seu futuro marido, o também autor Dias Gomes.

Nos anos 50, já casada e incentivada pelo marido, passou a escrever radionovelas e teve grande sucesso com “Perdão, Meu Filho” (Rádio Nacional, 1956).

Na década de 1960, Janete iniciou a produção para a televisão, com as telenovelas “O Acusador” e “Paixão Proibida”, ambas pela extinta TV Tupi. Em 1967, recebeu a incumbência de alterar a trama da novela “Anastácia, a Mulher sem Destino”, da Rede Globo, para reduzir drasticamente as despesas de produção. Ela, então, inseriu na história um terremoto que matou mais da metade dos personagens e destruiu a maior parte dos cenários. Depois disso, ficou em definitivo na Rede Globo emissora na qual produziu seus grandes sucessos.

Nos anos 70 escreveu algumas das novelas de maior sucesso da história da televisão brasileira, como “Irmãos Coragem” (1970), “Selva de Pedra” (1972) e “Pecado Capital” (1975), período este em que passou a ser chamada de “a maga das oito”, por garantir índices de audiência estratosféricos nas novelas exibidas neste horário, sendo, em muitas, indiscutivelmente imbatível. Em 1978, parou o Brasil com a telenovela “O Astro”, em torno do mistério “Quem matou Salomão Hayala?”, personagem então interpretado por Dionísio Azevedo. Janete Clair se tornou a maior autora popular da história da televisão do Brasil, a única a alcançar 100 pontos de audiência.

A autora morreu precocemente em 16 de novembro de 1983, vitimada por um câncer no intestino, enquanto escrevia a telenovela “Eu Prometo”, que deixou inacabada. Esta acabou sendo concluída pela colaboradora Glória Perez, que viria a tornar-se reconhecida e respeitada novelista, e pelo seu viúvo Dias Gomes.

Janete hoje é tida como símbolo de carisma, simplicidade e talento. Suas histórias ainda povoam a mente dos brasileiros apaixonados pelas telenovelas, que atualmente tanto sucesso fazem nos lares dos brasileiros.