GEIV

O Aeroporto Regional Orlando de Carvalho, em Umuarama, passou nesta quinta-feira (27) por uma inspeção em voo realizada pelo Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), da Força Aérea Brasileira (FAB). O trabalho teve como objetivo verificar o funcionamento, a precisão e a calibração do sistema PAPI, equipamento que auxilia os pilotos durante os procedimentos de aproximação e pouso.
O Ilustrado acompanhou os trabalhos durante a manhã e conversou com o diretor aeroportuário, Geraldo Portela, que explicou a importância da atividade para a manutenção das certificações e da segurança das operações no aeroporto.
Segundo Portela, o sistema já havia sido homologado há cerca de dois anos, mas passa periodicamente por novas inspeções para garantir que continue funcionando dentro dos parâmetros exigidos.
“Hoje nós estamos passando por uma inspeção do GEIV, que é o Grupo Especial de Inspeção em Voo da Força Aérea Brasileira. O intuito é checar o nosso PAPI, que já está homologado. A cada período de dois anos eles fazem essa inspeção para verificar se o equipamento está calibrado corretamente e para manter as certificações do aeroporto”, explicou.
Durante a inspeção, uma aeronave a jato da FAB realizou diversas aproximações e passagens sobre o aeroporto, inclusive em baixa altura. Os procedimentos podem ser percebidos por moradores de regiões localizadas próximas ao prolongamento da pista.

AUXÍLIO AO POUSO
O PAPI – Precision Approach Path Indicator, ou Indicador de Trajetória de Aproximação de Precisão – é um sistema de luzes instalado ao lado da pista e utilizado como referência visual pelos pilotos durante a aproximação.
De acordo com Portela, o equipamento é especialmente importante para operações noturnas e em condições de baixa visibilidade, auxiliando a aeronave a manter a trajetória correta e evitar obstáculos durante o procedimento de pouso.
“O PAPI é um equipamento que auxilia no pouso em dias de visibilidade ruim e à noite, principalmente para livrar os obstáculos durante a aproximação”, afirmou o diretor aeroportuário.
O aeroporto de Umuarama funciona 24 horas por dia e possui infraestrutura para receber aeronaves durante a noite e também em condições meteorológicas adversas.

COMO É FEITA A INSPEÇÃO
Os trabalhos começaram com a verificação da intensidade das luzes do sistema. O PAPI possui cinco níveis de brilho, que precisam ser utilizados de acordo com as condições de luminosidade e atender a parâmetros específicos.
Segundo Portela, os técnicos do GEIV também utilizam equipamentos como o DGPS para verificar com precisão a posição e o ângulo da trajetória de aproximação.
Durante o procedimento, a aeronave realiza aproximações em uma rampa de três graus, enquanto a equipe em solo acompanha e orienta os trabalhos. A tripulação mantém comunicação com a sala de operações do aeroporto e solicita diferentes ajustes no sistema durante as passagens.
“A aeronave vem em uma rampa de três graus e o pessoal de solo vai orientando para manter essa rampa. Aqui na sala de operações ficamos em comunicação com eles e, à medida que vão fazendo a aproximação, eles vão dando os comandos para mudarmos o brilho do PAPI, acionarmos de uma forma ou de outra e de uma cabeceira ou de outra. Eles fazem essa checagem durante as aproximações”, explicou.
Durante os testes, a aeronave se aproxima da pista e, antes do pouso, realiza uma arremetida para repetir o procedimento.
AJUSTES EM TEMPO REAL
Uma equipe técnica responsável pela instalação do sistema acompanha a inspeção em solo. Caso seja identificada qualquer necessidade de ajuste, a correção pode ser realizada imediatamente.
Segundo Portela, até mesmo pequenas diferenças no ângulo de funcionamento do equipamento podem ser corrigidas durante a presença da equipe técnica.
“Se tiver algum ajuste para fazer, ele é feito no momento. Às vezes é uma diferença de 0,02 graus. A equipe técnica faz o ajuste na hora para que, quando o GEIV saia daqui, o equipamento já esteja ajustado e calibrado”, destacou.
Como o sistema de Umuarama já havia sido submetido anteriormente à homologação e se encontra em funcionamento, a inspeção desta quinta-feira teve caráter principalmente de verificação periódica.

AEROPORTO VAI ALÉM DOS VOOS COMERCIAIS
Apesar de os voos comerciais regulares ocorrerem apenas três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, o Aeroporto Regional Orlando de Carvalho mantém uma movimentação constante.
Segundo o diretor aeroportuário, cerca de 80% da utilização da estrutura está relacionada à aviação geral e executiva.
“O aeroporto é utilizado pelo pessoal da segurança pública, pelo Governo do Estado, temos voos aeromédicos praticamente toda semana, transporte de órgãos e também a aviação executiva. Empresários e táxis aéreos operam aqui. Então o aeroporto está sempre movimentado, não é só a linha aérea que utiliza a estrutura”, afirmou.
REFERÊNCIA REGIONAL
Portela destacou ainda que o aeroporto de Umuarama possui uma estrutura que o torna referência para a região. O terminal atende municípios do Entre Rios e dispõe de instrumentos e equipamentos que não estão presentes em diversos aeroportos regionais.
“Com os equipamentos que temos aqui, talvez possamos comparar nossa estrutura com aeroportos como Cascavel e Maringá. Existem outros aeroportos regionais, como Paranavaí, Cianorte e Campo Mourão, mas eles não possuem todos os instrumentos e equipamentos que temos”, explicou.
Por conta dessa estrutura, aeronaves da aviação executiva, táxis aéreos e órgãos públicos utilizam o aeroporto de Umuarama para diferentes operações.
Como exemplo, Portela citou a utilização da estrutura por aeronaves do Governo do Estado, que podem pousar em Umuarama mesmo quando os compromissos incluem deslocamentos para outros municípios da região.
“Eles escolhem operar aqui porque temos uma operação de 24 horas e uma estrutura que atende às necessidades dessas aeronaves”, concluiu.
A inspeção desta quinta-feira foi realizada nas duas cabeceiras da pista. Após a conclusão dos trabalhos, a aeronave do GEIV seguiria para Maringá para abastecimento e retornaria posteriormente para recolher os equipamentos utilizados pela equipe em solo.