SAÚDE PÚBLICA

O Instituto Nossa Senhora Aparecida (INSA) retoma a partir desta sexta-feira (4) o atendimento normal para os casos de urgências e emergências e de hemodinâmica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi confirmada no início da noite por um dos sócios da casa de saúde, Marcelo Nelli.
Ele afirmou ainda que nesta quarta e quinta-feira parte dos serviços já estão sendo retomados, mas que aguardam a entrega de medicamentos em falta para a sexta-feira, que é quando o INSA tem novo plantão dentro do rodízio dos hospitais que atendem pelo SUS.
“O Município nos repassou um aporte financeiro que vai nos permitir um fôlego e garantir um atendimento de qualidade aos nossos pacientes”, afirmou. Nelli confirmou que a Casa de Saúde passa por dificuldades financeiras há longa data. Atualmente o hospital emprega 280 trabalhadores além do corpo médico.
Na segunda-feira (31) a Casa de Saúde enviou dois ofícios à Secretaria Municipal de Saúde, 12ª Regional de Saúde e Samu informando que estava interrompendo o atendimento prestado de urgência e emergência e homodinâmica pelo SUS entre os dias 31 de maio e 07 de junho.
Na terça-feira (1º) o hospital era o responsável pelo plantão de urgências e emergência na cidade.
A interrupção no atendimento de urgências e emergências pela Casa de Saúde na terça-feira (1º) pegou de surpresa todo o sistema de saúde da cidade e gerou problemas para o atendimento e recebimento de pacientes pelos demais hospitais da cidade.
Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegaram a ficar com pacientes em portas de outros hospitais aguardando uma vaga para recebimento da pessoa.
Na manhã de quarta-feira (2) o promotor público da Promotoria da Saúde, Marcos de Souza convocou uma reunião entre os gestores do INSA e a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela gestão plena da saúde no município. Segundo Marcos de Souza, o pedido feito pela Casa de Saúde ao Município para suspender o atendimento por sete dias foi negado.
“A administração do hospital tem que se manifestar se vai continuar credenciado ao SUS para prestar atendimento ou não. Se não quiser continuar o município deve encerrar o credenciamento e buscar outra referência para o atendimento, principalmente na hemodinâmica. O que não pode é o usuário ficar sem atendimento”, afirmou o promotor.
O INSA é o hospital referência no atendimento aos pacientes cardíacos e faz parte de um rodízio de plantões para atendimento de urgência e emergência, que abrange acidentes, AVC, infartos e outros problemas de saúde de urgência.
Segundo o promotor, as dificuldades que calcaram o pedido de suspensão pelo Insa estão ligadas a má gestões anteriores do hospital, que atualmente passa por sérias dificuldades financeiras. “É importante esclarecer que essa situação já vem ocorrendo há um certo tempo. Que a Prefeitura e o Ministério Público têm atuado para auxiliar no que é possível, mas tem um limite até onde podemos ir. Tem coisas que dependem do Hospital para acontecer”, explicou o promotor.
Souza também frisou que a situação não tem qualquer relação com a Operação Metástase, do Gaeco de Cascavel e do Gepatria de Umuarama, braços especializados do Ministério Público, que investigam supostos desvios de recursos na saúde do Município ou mesmo com a pandemia da covid19. “São problemas de falta de recursos mesmos ocasionados por uma má gestões anteriores”, enfatizou.
Segundo o coordenador médico do Samu Noroeste, Alain Barros Correa, situações similares de pacientes aguardarem uma vaga dentro de ambulâncias em portas de hospitais têm ocorrido nos últimos dias em Umuarama, em decorrência do esgotamento da capacidade de atendimento, seja do Pronto Atendimento ou das Casas de Saúde.
Com isso, não são apenas os pacientes/covid que estão tendo que aguardar por um leito. Pacientes com outras enfermidades também estão com dificuldade par atendimento médico, como ocorreu na terça-feira junto ao INSA.
Esta semana o secretário de Estado da Saúde Beto Preto acenou com a possibilidade de contratações de novos leitos covid junto aos hospitais locais. “O governador Ratinho Júnior disse que não há limites de recursos para a saúde neste momento. Agora precisamos que os hospitais tenham condições para atender esses pacientes”, afirmou durante reunião com prefeitos da Amerios.
Segundo um dos sócios do Instituto Nossa Senhora Aparecida (INSA), Marcelo Nelli, a atual administração da Casa de Saúde já ofereceu a possibilidade de parte da estrutura do hospital ser usada como um hospital de campanha. “Já fizemos essa oferta ao Município, pois temos uma estrutura muito melhor e mais equipada do que o Centro Diocesano, por exemplo”, explicou.
Atualmente um dos locais que o Município está em tratativas para a instalação da tenda covid é o Centro Diocesano de Formação, pertencente a Mitra Diocesana. Atualmente a estrutura funciona em um prédio cedido pela Viação Umuarama em frente a delegacia da Polícia Civil.